janeiro 31, 2011

Separação.

Para  Thais.


Sentados a mesa durante o jantar Fernanda quebrou aquele silêncio desconcertante e foi logo dizendo:
- Não está dando certo! você nunca está aqui, vive viajando, pensei que pudesse lidar com essa situação, mas não posso!
Com o passar dos anos eles foram se tornando estranhos sob o mesmo teto, é verdade... Pensou Jhonas, que ainda tentou argumentar.
- Mas eu...
Em vão! Fer passara os últimos 30 dias (tempo que durou a ultima viagem dele) ensaiando o que diria. Estava decidida.
Colocou as coisas dele uma a uma dentro da enorme mala, Jhonas permaneceu sentado na poltrona da sala, fumando um cigarro atrás do outro. Sabia o quanto a fumaça a irritava, mas agora também, pouco importava agradá-la 
- Ah! todos esses anos e depois ir embora num sábado qualquer às duas da madrugada... Quando foi que o amor acabou e deu espaço à rotina ?
Pensava entre um cigarro e um copo de uísque e nem sabia se concordava mesmo com isso.
A garrafa de uísque estava no fim...
- Fer...
- Oi .
- Posso levar essa foto ?
- Qual ?
- Essa sobre a mesa, foi na nossa festa de casamento.
- É, eu sei, pode! leva a foto, deixa o porta retratos, ganhei de presente.
- É, eu sei. Comprei-o na nossa viagem de lua de mel.
  E o silencio continuou tomando conta dos dois... Tinham muito a dizer mas optaram por calar e não dar margem a possíveis palavras erradas.
- O que aconteceu ?
- Com o que ?
- Com a Fer e o Jhonas dessa foto ? 
perguntou ele sem saber mesmo onde estavam os dois de 8 anos atrás.
- Foram por caminhos diferentes.
Respondeu suspirando.
-Que pena...
E o silencio volta a reinar por longos minutos.
- Fer...
- Ham.
- Os cigarros acabaram, o uísque também.
- Hum hum...
- Bom, ninguém mais vai te incomodar com a fumaça.
-Espero que não.
(De fato ela odiava o senso de humor dele)
Sem dar espaço pro silencio ele decide tentar conversar.
- Fer...
- Oi...
- Deixa eu tentar outra vez?
- A mala está pronta. Chamei um táxi pra você, já chegou.
Despediram-se, um tanto embaraçados... Sem acreditar que era realmente um até nunca mais.
Como pode alguém sair da vida do outro levando apenas uma mala? Roupas, planos e sonhos embolados...
Ia pegando as chaves mas ela o lembrou de que não precisaria mais delas.
Saiu...
Fernanda ficou imóvel na sala, não chorou.
Olhou ao redor e sentiu o mesmo vazio dos últimos meses.
- Ele já não estava mais aqui mesmo. 
Pensou.
O táxi parado no portão... 
-Pra onde senhor ? 
Perguntou o motorista já prevendo a resposta ou a falta dela.
- Espere... 
Como se ela pudesse se arrepender e voltar atrás. O que não aconteceu.
- Vamos...
Ligou então o motor.
- Jhonas ! espere.
O rosto dele ilumino-se e o coração encheu-se de esperança.
- Oi...
Falou já descendo do carro.
- A foto! você esqueceu de pegar.
- Ah é mesmo, que cabeça a minha.
Pelo retrovisor o motorista a viu parada no meio da rua até que dobrou a esquina, Jhonas com os olhos fixos na fotografia não viu.
- Senhor... pra onde vamos ?
Diante o silencio ficou dando voltas na cidade vazia. Estava acostumado com separações...
E era justamente o que Jhonas estava pensando. 

Você diz que tudo terminou
Você não quer mais o meu querer
Estamos medindo forças desiguais
Qualquer um pode ver
Que só terminou pra você

São só palavras teço, ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato
A peça que interpreto,um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos
E você diz que tudo terminou
Mas qualquer um pode ver
Só terminou pra você
Só terminou pra você
.
(Os Barcos - Legião Urbana)












janeiro 21, 2011

Suicídio...



Do alto da roda gigante sentia o mundo aos seus pés. Escrevera duas cartas uma  a familia e uma aos amigos explicando o porque de não querer mais viver.
- É inútil tentar esquecer, é impossível viver em paz sem ele, por isso eu não quero mais viver... Dizia.
O papel amassado e a tinta borrada da caneta azul  deixava a nítida sensação de que ela não estava certa da decisão tomada. 
Ainda assim colocou as cartas no correio, para que não fossem descobertas antes do tempo desejado, endereçadas uma à sua mãe e outra à melhor amiga, certificou-se de não ter errado o endereço, reviveu em sua mente alguns bons momentos e caminhou rumo ao parque de diversão.
Quem iria imaginar um suicídio ali ? A velariam pensando ter sido um acidente, provavelmente pensariam em processar a direção do parque, receberiam a carta dias mais tarde e não sentiriam raiva dela por ter acabado com sua própria vida pois estariam ainda anestesiados pela dor. Com o tempo eles me esquecerão. Pensou.
Estava  com o seu vestido amarelo de flores grandes, ele adorava quando ela usava e essa era mesmo uma ocasião especial.
Comprou o ingresso, o moço da cabine ainda a alertou da promoção:
- Se a senhorita levar 4 saem por R$ 10,00.
- Não precisarei mais deles depois que subir naquela roda gigante, sussurrou. Um por favor!
Caminhou até a fila, esperou os 15 minutos mais longos de toda a sua vida, mas estava decidida, a única coisa que a faria desistir seria ouvir a voz do seu amado pedindo pra lhe acompanhar no passeio, o que ela sabia que não aconteceria, ele já a havia esquecido.
Chegou a hora, subiu no brinquedo, sentou-se sozinha e colocou a bolsa no lugar ao lado para que ninguém pedisse pra sentar com ela, provavelmente desistiria se tivesse alguém ali pra contar que ela havia pulado.
Lá em cima sentia náuseas, nunca gostara mesmo de altura, precisava saltar depressa.
O destino estava a seu favor, a roda gigante fez a costumeira parada justo quando a cabine dela estava no ponto mais alto.
Soltou a trava de segurança, gritou o nome dele pela última vez e um eu te amo que ecoou no horizonte, por um instante o mundo parou a observa-la. Pulou.
Sentia o vento bater no rosto e lhe deu de repente uma sensação de estar viva. Seu corpo flutuava no ar, as pessoas olhavam desesperadas a sua queda. Arrependeu-se.
Tentou parar a queda, tentou voar, pensou em uma maneira de aterrissar. Em vão, tarde demais.
A queda tornou-se lenta, dolorosa, assustadora... flutuava, flutuava... rodopiava no ar e não atingia o chão nunca. Não imaginava estar tão alto quando saltou.
Sentiu o desespero de um suicida ao colocar a corda no pescoço, chutar o banco e se arrepender. Restava esperar pela morte, ou na melhor das hipóteses que Deus a ouvisse e não a deixasse morrer, suplicou, já que cair agora era inevitável.
Gritou, chorou, pediu por socorro, desesperou-se.
Acordou.
Tocou seu rosto pra ter certeza que estava viva.
Não vale a pena morrer de amor!!!

   
   



janeiro 20, 2011

Meus Fantasmas...



E eu que tenho tanto medo de ser hipócrita... Estou com medo dos meus sentimentos, mistos, confusos...
Não gosto de sentir piedade, gosto quando consigo me comover com a dor alheia, sentir em mim parte da dor deles, sem aquela falsa piedade, entende ? 
Mas esse alivio me assusta, muito mais que a tristeza me comove!
As vezes tenho medo de mim.
Impossível esconder-se de si mesmo!

janeiro 19, 2011

Ainda na fase dos porquês... (muito bem elaborados por sinal)



- Mamãe, por que lá em casa não se assiste big brother ?
- Porque big brother é programa de gente que não tem o que fazer, que fica cuidando da vida alheia, programinha sem escrúpulos viu! 
- O que é "escúpulos" ?
- (risos) é ... ah é que só mostra o que tem de pior filha, entende ? programa de gente sem cérebro, gente boba...
- ham... (alguns segundos)
Mamãe, por que tem tanta gente que assiste então ? quase todo mundo assiste mamãe, tem até um jogo, olha ali o Alan tá jogando...
- Porque tem mesmo muita gente boba  nesse mundo filha!
- Ah! e a gente é inteligente né... 
- É nós somos! 

É incrível como ela ainda me surpreende! 

janeiro 17, 2011

E a vida vem em ondas (...) Como o mar.



As pegadas na areia iam aos poucos sendo apagadas pelas ondas que se quebravam na praia, até quando as minhas marcas permanecerão em seu coração ? Caminhando sozinha à beira mar,  pensava... Até quando o meu cheiro permanecerá em sua memória até que seja substituído por outros cheiros?
Já não havia quase ninguém na praia, era quase noite e o som do mar era tudo o que se podia ouvir. A solidão do momento me fez lembrar do ruído do seu riso, até quando ele ecoará em minha memória até que venham outros sons ? Até quando minha imagem virá a tua mente quando você por ventura fechar os olhos e pensar em mim? quanto tempo resistirá o teu perfume no meu casaco? E o meu gosto na tua boca? quanto tempo será capaz de resistir? até que você prove outros gostos ? até que você decida esquecer ?? Quanto tempo dura um amor eterno ? 
Felizes os que deixam pegadas na areia, pensava... Vê só como elas vem e levam tudo sem deixar nem vestígios?? Será que alguém ainda se lembra das pegadas deixadas ali depois de engolidas pela água salgada do mar ? Será que o mar consegue mesmo apagar todas as marcas? ou elas ficam ali, disfarçadas, ocultas, camufladas nos olhos, no sorriso, nos cheiros e gostos?
Por quanto tempo tua imagem permanecerá na minha lembrança? Será o tempo como uma onda do mar ??? 
E será  uma onda  capaz de reconhecer uma pegada que apagou ? E você reconhecerá o meu sorriso depois de apagado da sua memória ? E da minha voz? se lembraria ? reconheceria a minha voz se eu te ligasse e dissesse oi? por quanto tempo ?
As pessoas que passam por nossas areias não podem sequer perceber as marcas apagadas... pelas ondas, pelo tempo, pela memória... 
E pra onde vão os risos, os beijos, os cheiros, os gostos? onde ficam as lembranças, os sons, as memórias ? pra onde as ondas levam as marcas dos pés que lá estiveram? pra onde o tempo e a distancia levam as marcas da gente? 
Por quanto tempo ? Até quando???

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo
Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar.
(Lulu Santos,  Como uma onda)








janeiro 11, 2011

Descrição...

Ela nunca fora como as outras meninas da idade dela... Nunca quis ser bailarina, dançarina, atriz de novela, modelo de passarela, essas coisas todas que as meninas sonham! Também nunca se apaixonou perdidamente na pré-escola, nunca teve namoradinho de recreio e jamais sonhou se casar de branco, véu e grinalda.
Lembro-me de que aos 5 anos queria ser dentista, depois jornalista e só.
Nunca teve grandes sonhos e expectativas na vida, sempre teve a cabeça nas nuvens e os pés no chão (se é possível).  
Não acreditava em papai Noel, Coelhinho da páscoa, fadas e duendes, mas colocava o pé de meia na janela na noite de natal, afinal, ela acreditava em pessoas de bom coração.
Tirando isso, foi uma criança normal, brincou de pic esconde, tomou banho de chuva, comeu fruta no pé,   e cresceu... Aparentemente como todas as outras.
Mas no fundo sempre quis ser diferente... E foi. 
O que teve de mais próximo do sonho de ser jornalista/escritora foi um blog, onde vez em quando escreve besteiras a esmo, ainda assim sente-se realizada, sabe que alguns sonhos acabam ficando  mesmo apenas nos desejos de menina e deixam de ser sonhos pela impossibilidade, foi assim com as coisas que desejou fazer, foi assim com o que desejou ser e sendo assim acabou se tornando a pessoa que no fundo sempre quis ser, que aceita as coisas que já são impostas, que tenta mudar as que pode, que é feliz com o muito que tem, pois sabe que no final é o que vale mesmo a pena, que luta por seus ideais, que desiste quando vê que aquilo não é pra ser. 
A menina dentro dela que ainda não cresceu,  acredita em pessoas de bom coração. A mulher que se tornou luta todos os dias para ser uma delas.

dezembro 23, 2010

A saudade que não tem cura...

Hoje eu acordei com uma saudade sem tamanho de você, me lembrei do teu jeito, do teu riso e do teu carinho, eu me lembro que você tirava meus cabelos de trás da orelha e brigava comigo porque eu iria ficar orelhuda.
Eu adorava dormir com você, você me dava chá e uma camisola amarela com um urso estampado, eu a tinha até poucos anos, deitávamos na sua cama e assistíamos o programa da Hebe, você adorava!!! 
Eu ainda posso lembrar do cheiro da tua casa, das tuas roupas, lembro que muitas  delas tinham manchas de tinta de cabelo.
Este ano estive na tua casa, ela está mudada... Não tem mais o mesmo cheiro, mudaram os móveis, as cortinas e a cor das paredes, dormi no quarto que era seu, não tem mais a tua cama e a tua tv, não tem mais você, ele me parecia bem maior antes mas estava muito vazio agora...
Aliás, a cada toda parecia muito maior antes, a janela para a rua onde olhávamos os carros passando, a escada, o quintal... Não subi ao sótão, é como se eu ouvisse você dizendo que eu iria cair e me machucar,   Lembra o dia que a vovó caiu de lá ? 
Das lembranças todas eu me lembro bem que você vivia procurando uma forma de encontrar Deus, espero que tenha encontrado...
Tia, meu coração nunca aceitou que você tenha partido, não sei se porque nunca te disse adeus, não sei se porque o amor que eu sinto por você necessita da ilusão de que você está aqui ainda, sei que todas as vezes que penso em ir a Curitiba por um momento meu cérebro me engana e parece que eu vou te encontrar lá.
Sinto muito não ter estado ao seu lado por mais tempo, sinto muito não ter segurado as tuas mãos nas horas difíceis que passou no hospital, sinto muito não ter lhe dito mais vezes que eu amo você. 
Mas se Deus existe mesmo com certeza é com ele que você está, necessito acreditar que um dia vamos nos encontrar mais uma vez, necessito acreditar que você pode me ouvir e que sabe da saudade que mora em meu coração.
Saudades eternas... Te amo    



É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais.
(Legião Urbana)

dezembro 15, 2010

Quase uma história de amor.


Achei nos meus rascunhos, resolvi publicar...

Essa não é uma história de amor, é uma história sobre o amor...
Uma história que mostra como as pessoas podem superar as expectativas quando amam, como podem ser amáveis ou cruéis.
Não foi amor à primeira vista, mas foi amor, sem dúvidas...
O cenário não era uma praia deserta, não era um lindo bosque cheio de flores e folhas, não era Paris e nenhum outro daqueles que a gente vê nos romances com histórias complicadas e finais felizes, não era o lugar perfeito  para se apaixonar, alíás era quase impossível encontrar um grande amor ali. 
Mas estava lá! Eu não me lembro o dia do mês e da semana esses detalhes sem importância alguma. 
Lembro me apenas que um dia eu ergui os olhos e estava lá, sem sinos tocando, sem borboletas no estômago, sem câmera lenta. Tinha uma trilha sonora,  eu me lembro bem.
É uma história que mostra  como o amor é egoísta, eu sei, é contraditório mas o amor é sim egoísta... 
Quando se ama tanto assim fica difícil pensar que a sua felicidade custará a tristeza de outros.
Como eu ia dizendo, um belo dia eu ergui os meus olhos e vi além... Percebi que tudo nele me encantava, a voz, o sorriso, o jeito de olhar pra mim e me vi amando um milhão de defeitos.
Então eu o quis como nunca antes, quis deixar o meu mundo e viver no dele, quis me jogar e ver o que acontecia, como eu quis... 
Então eu o amei com todas as minhas forças, eu o desejei todos os dias, eu fiz planos como uma adolecente, eu sonhei acordada e suspirei ao ouvir músicas só nossas, como eu o amei.
É isso que eu chamo de egoísmo, é essa a parte egoísta do amor, querer pra si o que não se deve nem se quer imaginar.

 "Porque se você pisca, quando torna a abrir os olhos, o lindo pode ficar feio. Ou vice-versa."
E foi exatamente o que aconteceu, pisquei os meus olhos e todos os defeitos que eu amava me assustaram, tive medo, só então eu percebi que o amor de dois poderia matar outros amores, tão lindos quanto, foi quando eu fui embora.
Então eu fui egoísta mais uma vez, fiz com que ele sofresse para evitar outros sofrimentos, fui egoísta ao pensar que assim evitaria o meu.
Minha história não tem lindos cenários, não tem princípes encantados em seus cavalos brancos e nem serenatas à beira da janela, não tem borboletas no estômago nem sinos tocando.
A minha história me faz lembrar você toda vez que eu ganho um sonho de valsa, toda vez que eu sinto vontade de ser eu em você, toda vez que meus olhos te procuram na multidão, agora mais que nunca toda vez que eu fecho os meus olhos e quase posso te tocar, quão perto você está, quão em mim, quão real é o teu cheiro em minhas mãos, em meu casaco, em minha pele.
A "nossa" história não tem final feliz, mas se contada por mim é quase uma história de amor.
Me conta a tua história de amor ? Me conta a tua história sobre o amor ?

 
   

dezembro 09, 2010

Não morra em mim!


E  sobre o sol escaldante do mês de dezembro ela caminhava sozinha e pensava o quanto tinha esperado dele, agora estava claro que ela desejou muito mais do que ele poderia ser, muito mais que ele poderia dar, muito mais que ela poderia ter. 
O coração estava gelado, quase que vazio não fosse o ressentimento, as mãos ainda trêmulas e aquele nó na garganta, um aperto no peito, a vontade de chorar.
Sentou-se na poltrona inclinada do onibus, olhou pela janela a observar os carros passando, na esperança que eles levassem dela toda aquela tristeza, em vão!  
 O ar condicionado aos poucos amenizou o calor do corpo e  a igualou a temperatura da alma, fria, incrédula.
Talvez ela quisesse mesmo ouvir um : "eu te amo, fica comigo" ou um "acabou, finalmente" 
Desabafou : Amiga, é tão difícil  e o que ouviu de mais confortante foi :
Vocês são dependentes  







dezembro 06, 2010

O Mãe....



 05/12/2010 por volta das 00:45 hs:
- Mãeeee..
(meio sonolenta ainda)
 - hummmmm.
- Você conhece a música do pinguim ?
-Clara, é tarde dorme.
-Eu canto pra você mamãe :
Pinguim, pinguim o amor é mesmo assim, começa devagar e depois não tem mais fim (5 vezes).
-Dorme menina! 

Ser acordada de madrugada com uma serenata não é pra qualquer um!

dezembro 04, 2010

Lembra?

 
Joguei fora aquela calça que você gostava, eu não gostava tanto assim dela, nem a usava mais, guardei-a como pretexto de lembrar de você.

Hoje abri o armário e vi quanta lembrança inútil a gente acaba guardando, como se fossem mesmo necessárias essas quinquilharias para não esquecer quem foi mesmo importante.

No armário foi fácil, mas na memória deu um pouco mais de trabalho! Acho que eu consegui fazer uma limpeza geral, como toda faxina a gente sempre traz à tona a poeira, acho que ela me irritou os olhos, chorei.

De olhos vermelhos e inchados fechei o armário! Vi meu reflexo no espelho, não me reconheço mais.

Eu não era descrente assim, parte do que eu era joguei fora meio que sem querer junto com toda aquela parafernália inútil; roupas, fotos, cartas, poemas, músicas, papel de sonho de valsa. Parte de mim estava lá e eu nem notava, vivi tanto tempo sem o que eu era que acabei por joga fora, sem notar.

Do que eu sou hoje, resolve-se com um lápis preto e um gloss.! Pronta pra outra, colorem-se os rostos, camuflam-se as almas, tristes, solitárias.

Eu até gostava de mim antes, mas o meu “eu” sem “você” tornou-se vazio.

Preciso encontrar uma forma de me “reinventar”....




dezembro 03, 2010

Hipocresia Natalina!!!


Esse "espiríto" natalino me causa náuseas!
Por cerca de um mês as pessoas vestem suas máscaras caridosas, iluminam suas janelas e se preocupam com o "Feliz Natal" alheio.
Não importa se nos outros 364 dias do ano as famílias passem fome, seus filhos não tenham roupas ou brinquedos, o importante é que tenham uma "noite feliz"!
As lojas então! vendem seu FELIZ NATAL  em 12 vezes sem juros! E sem entrada heim!!! Corra e garanta já o seu, afinal não seria natal se você não comprasse e passasse o resto do ANO NOVO pagando-o... COMPRE, COMPRE, COMPRE!!! 
Essa hipocresia toda me enoja, irrita, na noite de natal vão à missa do galo, que agora é na hora em que o galo vai dormir e não quando levanta, afinal se a missa for às 24:00 horas como antigamente a ceia vai pro brejo e com ela a venda de Chesters e Perus, claro, natal sem eles não é natal! 
As vitrines enfeitadas, as ruas, aquele papai noel magricelo e desidratado!!! A rede globo com aquela vinheta insuportável "hoje é um novo dia, de um novo tempo, que começou... blá blá blá", novo dia o escambau de bico! passa o natal e o ano novo e dia 02/01 nem esperam o dia 06 (dia de reis) como antigamente, retiram os enfeites e o que resta da "fantasia" de alma caridosa e voltam a viver as suas vidas perfeitas, com suas dívidas natalinas e que se danem os coitadinhos sem ceia e sem brinquedo, no próximo natal a gente faz mais um pouquinho de caridade.
Nem se lembram do verdadeiro motivo do dia 25 de dezembro, apenas o aproveitam para se unir em volta de uma mesa com os familiares, geralmente só o fazem nesta data mesmo, comem e bebem até se fartarem e nesse momento já não importa se as criancinhas necessitadas foram dormir com fome, SE  se lembram de fazer uma oração, raramente se lembram de quem não tem a mesma sorte de ter família e mesa farta, passa o natal, esperam ansiosos pelo ano novo e depois já preparam as suas máscaras para o carnaval, se é que precisam delas!
Eu odeio o natal, odeio toda essa mentirada suja de "amor ao próximo"!!!!
Blá, blá blá...

" E então é Natal... e o que você fez ? O ano termina e começa outra vez... Então Bom natal e Ano Novo também e seja feliz quem SOUBER O QUE É O BEM!!!"
(Simone)

dezembro 01, 2010

Pena; escrevemos bem mais cartas que enviamos...


Já era muito tarde da noite, eu não conseguia dormir...
Papel e caneta, escrever sempre me leva à um mundo paralelo;
Escrevi pra você, não enviei...
Escrevi para lembrar de "nós", te escrevi para dizer que não me suporto! Eu não suporto o meu "eu" sem "você".
Eu não suporto esses dias sem fim!
Não suporto o meu riso sozinha, você se lembra quando as nossas risadas se entrelaçavam ? Já não sabiamos qual era a minha e qual era a sua...
Não preciso dizer muito, você me entende, lê as minhas entrelinhas...
É um grito de saudade, S.O.S, um pedido de socorro...
Bem meu, pra você, meu bem...

"E quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração ? E quem irá dizer que não existe razão?" (Legião Urbana).


novembro 20, 2010

Filhos, por que tê-los? mas se não como sabe-los ?


Eu sei, vai parecer conversa de mãe, que são todas iguais e só se muda o endereço, mas parece que foi ontem! 
Ainda lembro em detalhes o dia em que ele nasceu, lindo (eu achava e isso bastava), lembro da emoção do primeiro choro, da primeira mamada, da saída do hospital, lembro como eu, aos 16 anos exibia a barriga com tanto orgulho, como se eu soubesse o que estava por vir, como se eu soubesse que aquele ser me tornaria mãe, humana, mulher!
Há 9 anos eu me tornava sim mãe, mas além disso eu me tornava uma pessoa melhor... Eu aprendi a reconhecer os significados dos choros, passei a me comover com sorrisos e vi que o meu limite era muito maior que eu imaginava, eu era muito mais forte e resistente a dor, depois dele eu não tive mais medo do escuro, passei a ter medo da morte, eu levantei noites e noites pra conferir se ele estava respirando.
Ser mãe fez de mim a pessoa que sou hoje e se me pedirem pra me definir em uma palavra seria sem dúvidas,Mãe! 
 Mãe que ama um ser desde o primeiro dia, que se emociona na primeira ultrassonografia e em todas as outras, que acha lindo as apresentações da escola, que acha que seu filho é o melhor em tudo, que não vê defeitos, que se apaixona todos os dias pelo mesmo ser...
Ah se todas as pessoas no mundo fossem um pouco mães, ah se todas as pessoas do mundo pudessem sentir o que é ser mãe do meu filho, se todas tivessem ele pra ensinar o que é ser mãe.
Hoje ele completa 9 anos, tem quase a minha altura, eu só tinha 16 anos e muita coisa eu não vivi, mas se hoje eu pudesse voltar lá atrás eu faria tudo de novo e seria Mãe! Mãe do Marcos, mãe da Maria.
Ah... até parece que foi ontem! 
     

novembro 04, 2010

E teve um tempo que estavamos em sincronia, unidos pelo desejo de sermos um só.
Hoje, as vezes eu me pergunto onde você está e em que está pensando...
Antes eu sabia.
Você não me ama mais, eu sei.
São seus olhos, eles se atrevem a antecipar o que seus lábios não podem me dizer, por medo ou pena eu não sei. 
Eu não sei mais nada de você e temo não saber mais de mim. 
Tenho medo de descobrir que não te amei e que não me amou e então nada teria valido a pena e as lágrimas de saudade tornariam-se de remorso.
Outra vez duas palavras me assombram: E se ?

novembro 03, 2010

E se ?

"E e Se" são palavras que por si não apresentam nenhuma ameaça, mas se colocadas juntas lado a lado elas tem o poder de nos assombrar a vida toda.
E se ?
E se ?
E se ?...

outubro 26, 2010

Tic tac, tic tac...

O cenário é lindo!
O som das folhas e dos passáros, da água e das pessoas caminhando; eu chamaria de paz não fosse a solidão que me deixa inquieta a olhar todas as cores da primavera,  estação em que as pessoas estão felizes, felizes porque o sol finalmente surgiu e o céu ganha uma cor inexplicável.
Através dos meus óculos escuros eu, deitada na grama, observo a cor do céu. É azul! Não  vejo exatamente o tom que ele tem porque preciso da proteção dos óculos para olhar para o sol, mas eu sei quais as suas cores, já as vi tantas vezes. 
Deitada aqui continuo a ouvir os sons e imagino o que se passa na cabeça dessas pessoas tão despreocupadas, eu estaria em paz não fosse a falta que você me faz. 
Como as cores do céu que eu já conheço e já vi tantas vezes é a nossa história de amor, eu já sei todos os caminhos, todos os começos e finais, sei até as palavras que você vai usar pra me trazer a paz que sua partida leva, sempre.
Aqui por alguns momentos eu posso me esquecer do tempo, tempo que passa contra a vontade. Uma lágrima cai, já não sei se de tristeza ou de saudade... Não sinto mais dor quando sinto a tua falta, é que já faz tanto tempo.
O tempo, a quanto tempo estou aqui ? as pessoas passam por mim e não podem me ver chorar, o mesmo óculos que uso para me proteger da luz as vezes pertubadora do sol, me protege de certa maneira de me expor a olhares curiosos e as vezes piedosos.
Antes era mais dificil não pensar em você e não era preciso o azul do céu, não era preciso fechar os olhos e o tempo passava vagarosamente quando eu não sabia onde você estava. Hoje me conforta saber que em algum lugar o mesmo céu azul te faz companhia, o mesmo sol te aquece e as mesmas lembranças lhe arrancam uma lágrima vez em quando, se você fechar os olhos e pensar em mim. 
Parei de contar os dias, parei de olhar as horas.
O tempo apaga todas as cores. Todas as lembranças.
Tiiiiiiiic taaaaaac, tiiiiiiiiiiiiic taaaaaaaac,tiiiiiiiic taaaaaac, tiiiiiiiiiiiiic taaaaaaaac, tic tac, tictactictac, tictac tic.. ti.. t...
 
 

outubro 01, 2010

Ecos de saudade.

E então ela fechou os olhos e sentiu aquele cheiro outra vez... Um cheiro de pecado, de amor proibido de perca de sentidos.
Há algo nele que a leva pra tão longe que a volta à realidade se torna quase impossível.
Abre os olhos e ao redor tudo faz lembrar, os sons, os gestos e o sussurar no ouvido das palavras que desde aquele dia ecoam como se nunca antes tivessem sido escutadas, Meu amor... 
Algumas coisas tão íntimas, tão de dois que quase são de um só, a respiração ofegante, o suor e o medo numa sensação que não se explica e não se entende.
Uma sincronia perfeita, tão perfeita que ambos ainda custam a acreditar.
Perderam o juízo, perderam a razão mas ganharam algo que poucas pessoas sentem tão completamente: Felicidade.
Talvez nunca mais se encontrem, nunca mais se beijem e se amem, mas toda vez que qualquer um dos dois fechar os olhos irão sentir o mesmo acelerar de batimentos e o faltar do ar, do chão.
Irão abrir os olhos e ainda continuar sentindo tudo aquilo que o tempo (ou a falta dele) e a distância não conseguem apagar, nem ao menos diminuir. Sufoca, escapa, grita! Ninguém escuta, ninguém vê, ninguém mais sente além dos dois e talvez, daqueles que possam olha-los dentro dos olhos, cujo brilho reflete a alegria das mais doces palavras, ditas apenas uma vez, porém sentidas ainda e quem sabe pra sempre por dois, que por alguns instantes foram um. 
Saiu, fechou a porta e abriu os olhos, vez em quando faz o inverso, fecha os olhos e abre a porta como se de alguma forma aquele momento pudesse voltar, como se as doces palavras pudessem ser repetidas com a mesma intensidade... Meu amor...  

setembro 24, 2010

Tomara

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais..."
Como Eu Quero Viver com Você....o Verdadeiro Amor..que Não Se Desfaz .....

setembro 20, 2010

Na mesa do bar...

Melancolicamente, sentado sozinho em uma mesa de um bar qualquer, peço ao garçom que tenha piedade dos meus olhos cansados de chorar e que entenda o grito de socorro sufocado em mim.
Com a voz cheia de pena, os olhos de quem não acredita no fracasso de pessoa que vê, pacientemente espera até que eu saiba o que pedir:  
-Garçom! Uma dose de esperança por favor!
Não, Não... Me traga um coquetel.
Coloque Esperança e uma gotinha de fé, pensando bem coloca bastante, põe desapego também e só um pouquinho de amor próprio, uma dose de felicidade, só o suficiente para que eu possa sorrir por hoje e se tiver coloca uma de esquecimento também.
Não demore por favor...