outubro 31, 2013

Mas se partes, que partas totalmente.

Parou o carro e entreabriu a porta, assim que entrou um nó se fez na garganta, tentaram não discutir durante o trajeto, inutilmente, parece que naquele dia tudo conspirava contra os dois. Desceram na garagem escura, forçaram alguma segurança, algum laço, alguma intimidade. Vans tentativas, todas elas no último ano teriam sido em vão também? Temia que sim.
Dias antes tudo tinha sido tão perfeito e havia tanto amor, olhos, bocas, peles, almas que se reencontraram por brincadeira do destino e aqueles corpos vestiam-se como luva, se entrelaçavam e laçavam num frenético jogo de amar.
Então, sentada ali, meia luz, perguntava-se de onde vinha aquele sentimento de que seria a última vez, beijava como se, despedindo-se de um amor que vai partir, ali, parados naquela estação por onde tantas vezes estiveram e de onde brotavam lembranças e emoções. Não pode conter as lágrimas, que rolavam sem motivo aparente.
Continuaram por mais algum tempo tentando forçar alguma familiaridade, algum motivo pra que estivessem juntos ainda, mas nada acontecia. O nó na garganta não se desfazia e por mais que segurasse o choro algo dentro de si gritava: Despeça-se, esta é a última vez.  O toque do telefone soou como o apito do trem que vai partir, uma, duas vezes e o que vem depois da despedida? Voltou pra casa sem rumo, completamente perdida no turbilhão que lhe passava na cabeça. Voltaram pra casa sem uma desculpa pra dar para a dor que sentiram ao partir, mas cada um colocou sua máscara de felicidade e foi.
Foram um do outro.
Foram-se um do outro.
Se foram.
De qualquer modo já não estavam mais. Partiram sem despedirem-se, apitos de trens não esperam o último adeus.
Não estar mais doeu por alguns dias. No primeiro escondeu-se do mundo, tentando incansavelmente fugir de si mesma. No segundo fez greve de fome, no terceiro pediu socorro, percebeu as olheiras, sentiu fome, pouco a pouco foi saindo do buraco onde se enfiara. Não há como esconder-se dentro de si mesma afinal.

Hora de abrir as janelas e o coração, coisas boas hão de vir.

setembro 12, 2013

Menininha...


Tivera um dia daqueles... Daqueles onde todo imprevisto acontece. Não estava feliz nem triste, mas sentia-se realizada. Levantou cedo, com habitualmente vinha fazendo há algum tempo, no entanto, naquele dia sentiu vontade de colocar uma maquiagem, que não chamasse muito a atenção, mas que a deixasse bela, ou a fizesse sentir-se bela.
Um banho, uma roupa que disfarçasse os quilinhos a mais  e expectativa de que algo bom aconteceria. Os dias ultimamente andavam monótonos e sem vida, como se passasse por um filme, mas não contracenasse.
Descobriu naquele dia as cores de um sorriso, sempre fora encantada por sorrisos. Por instantes fez parte do elenco do filme de sua própria vida e, ali descobriu que ainda existem amizades que levam anos para serem descobertas.
Descobriu o segredo da felicidade, poderia contar, se este não fosse tão singular, tão egoísta às vezes. Mas como sempre pensava: Ninguém nunca poderá ser feliz por você e daí nasce um pequeno egoísmo, aquela vontade de ser feliz, a qualquer preço.
Menininha, eu estou tímido! E o sorriso se foi sem promessas de voltar.
Talvez esteja ai o grande segredo... Não prometer e não esperar.
O sorriso encantador tornou-se tímido. Ficou em dúvida se agradara. Geralmente lê bem o olhar, mas este era desviado quase sempre e o riso tímido tomava conta.
Foi diva, egoísta e feliz por alguns instantes. Daqueles que marcam e ficam nas lembranças.

Eu estou tímido!

julho 26, 2013

Das tantas verdades de uma mesma história...

(Para ler ao som de hey Jude, porque toda história tem uma trilha sonora)

Camila ainda era jovem quando sonhou tudo isso...

Sempre sonhava com trens, ônibus ou qualquer coisa que lembrasse partidas, não sei o porquê, mas nunca tinha o prazer de sentir-se chegando a algum lugar,  estava quase sempre de passagem ou indo embora e raramente levava bagagem, sua jovialidade tinha “espirito livre”.
Dessa vez desceu do ônibus, era a parada final. Fazia frio e ela tinha nas mãos um casal de bonecos, um cobertor, uma almofada e alguns pertences pessoais. Desnorteada olhou para todos os lados buscando um rosto familiar, quando uma mão desconhecida lhe tocou os ombros.
Dali em diante tudo era desconhecidamente familiar. A cor do táxi  o trajeto, as luzes daquela cidade que ao mesmo tempo em que a acolhia lhe causava náuseas de um pavor estranho. Medo de estar ali e não corresponder às expectativas. Tentava sorrir, contava um ou outro acontecimento da longa viagem que a levara até ali.
Mal sonhara o motorista daquele táxi e o estranho que a acompanhava, que aquela viagem durara 28 anos.
Fim da corrida, ofereceu-se cordialmente a pagar, afinal sentia-se alheia àquele lugar e, no fim todo mundo pensa que dinheiro compra, paga, justifica e ameniza tudo. Até aquele sentimento estranho.
A mesma rua de pedras, o mesmo portão, fazia frio.
Ela e o estranho se olhavam como quem quisera entender o que acontecia ali, olhavam-se como quem nunca tinha se visto antes e ao mesmo tempo como se fossem velhos conhecidos que se encontram num café qualquer, por acaso.
Surpreendeu-se quando foi conduzida porta adentro e viu que um quarto lhe esperava, com cobertas recém-lavadas e toalhas secas. Fazia muito frio, principalmente dentro dela. Coração quase nem batia e as palavras embargavam-se.
Quanto melhor recebida era por aqueles que aos poucos deixavam de ser estranhos, mais envergonhada sentia-se.  E um vendaval de pensamentos preenchiam as horas. Estranhamente ela não desejava ir embora.
Surpreendeu-se mais uma vez quando notou que havia sido traçado um roteiro para sua estadia e havia uma escala para que mesmo entre estranhos ela nunca se sentisse só. Já naquele tempo mesa farta era sinônimo de boas vindas. Não foi diferente.
Como aquela noite foi longa. Fechava os olhos e todos os julgamentos que fizera não faziam mais sentido, era tudo “novo” e “diferente”.
Abraçou sua boneca, colocou sobre as outras a coberta que lhe trazia o cheiro familiar de casa e dormiu sem sequer sonhar.
Os dias foram passando e agora se sentia em casa, era como se conhecesse aquelas pessoas há anos, e conhecia. Os laços de sangue são fortes e ainda que não exista a mínima convivência eles predominam.
Dois dias e não queria nunca mais sair dali. Um lugar onde toda simplicidade tornava-se amor e onde o brilho do ouro não valia mais que o brilho de um sorriso ou de um olhar.
Incrível como se pode aprender tantas lições em gestos tão pequenos, a simples escolha do cardápio do jantar era motivo para reunião de família e discussão das preferências de todos. A ida ao supermercado, o planejamento das atividades do dia seguinte, o cheiro do café de todas as noites...
Incrível como que a gente encontra quem se pareça tanto conosco, como se tivéssemos vivido uma vida juntos, quando na verdade havíamos nos visto duas vezes em 14 anos. Mais incrível ainda são as diferenças que nos tornam tão iguais.
Laços de sangue, de amor... Vida que ata e desata nós, depois cria laços. Que prega peças e te põe em lugares inesperadamente inexplicáveis.
Não consigo descrever a simplicidade daquele amor contagiante. Mesmo daqueles que pouco falava, contagiavam com uma vontade de viver que há muito eu perdi.
Café pra aquecer o frio, piadas e entre um assunto e outro se acaba conhecendo o outro lado da história. Toda história tem pelo menos duas versões. Então todos os meus medos, dúvidas, mágoas, receios foram pouco a pouco indo por terra, num clima tão descontraído... Entre um café e outro aquecia-se do frio e esquecia-se as mágoas. Todo mundo sempre tem uma razão. Ainda que singular. A primeira lição é que nada é por acaso, se você entra num trem e desembarca em determinada estação é porque existe um propósito, ainda que desconhecido. Mais um café e desvendava-se um passado que antes fazia tanto mal e nenhum sentido. Como eu já disse, todos tem as suas razões.
Segunda lição? Qualquer tipo de luxo é dispensável onde existe amor.
Uma frase pra lembrar pra vida toda? É apenas um bem material, temos que aprender a desapegar...
Sei que é uma simples frase, mas num contexto no qual eu estaria revoltadíssima, um sorriso me diz: Tá tudo bem... E completa com essa frase.
Estive diante de pessoas que sabem mesmo construir castelos com as suas pedras. Que sabem sorrir perante o desespero, que sabe dividir o pouco que se tem. Que carrega um livro na bolsa, um sorriso nos lábios e muito amor no coração. Que tem esperança, que tem fé e que vai à luta.
Não que eu nunca tenha conhecido pessoas assim, mas é que quando só se ouve metade da história, surpreende-se com a outra parte.
De brinde um menino “pegador” que em cinco minutos me adotou como tia, que tinha amor nos olhos e no coração...
Queria ter podido, tido o direito, o prazer de lhe dizer mais vezes: Ficou lindo.
Quero te dizer que agora eu sei que o maior bem que se pode deixar é o amor verdadeiro e ele materializa-se em bons frutos.
Voltei com a bagagem lotada. Encontrei estranhos e deixei amigos.
Voltei com lições que ninguém pode tirar de mim.
Mas eu queria, como eu queria, ter estado mais vezes por perto pra dizer: tá lindo!



julho 12, 2013

Brinco de pérola

Para ler ao som de “Bem te vi” (Paulinho Pedra Azul)



Fernanda deu um “pause” na vida, naquela manhã de inverno se deu ao prazer de “desaparecer” por algumas horas.  Normalmente iria para o trabalho, como faz todos os dias. Não naquele.
Entrou no trem, mas mudou o destino e pensou: Somente por duas horas...
Ao chegar ao seu destino, bateu naquela porta já tão conhecida... Fazia tanto tempo que quase nem se lembrava mais. Da porta, do cheiro, do gosto, das cores.
Foi recebida por um sorriso e um olhar de acalento, mas foi acalentada por um abraço de paixão. Em poucos minutos botões abertos, respiração ofegante e sem nenhuma palavra a saudade mostrava-se.
Mistura de carinho e fúria, uma razão animal, empurra, acaricia, morde e beija... Leva aos céus.
Têm sentimentos que mesmo com o passar de muito tempo, vêm à flor da pele, no primeiro toque. E disso Fernanda ainda não tinha esquecido.
Essas segundas feiras raramente se repetem na vida de alguém. Este trem quase nunca faz esse trajeto.
Duas horas estenderam-se por mais alguns minutos, mais um sorriso, mais um olhar, daqueles que não se esquece.
Uma xícara de café, uma música para lembrar.
De volta à realidade, um sorriso abafado nos lábios. Uma felicidade passageira, tão passageira como quem perde um brinco de pérola dentre lençóis e torce para que encontrem e guardem em algum lugar que faça lembrar... Do cheiro do café ou da melodia da música, do trajeto do trem. Como quem espera  que agosto chegue logo.


http://www.youtube.com/watch?v=MOOFP2y9W30

julho 01, 2013

Eu nunca vou soltar a sua mão...

Sonhei com uma escadaria, notava a presença de muitos olhares voltados pra mim, eu, sentada no banco de um carro, acompanhada de alguém que notoriamente se orgulhava muito de estar ali naquele momento. Segurava um Buquê de Flores, claras, singelas... Vestia um vestido branco tão lindo, tão simples, tão puro como a minha inocência naquele momento, sapatilhas nos pés foram as únicas exigências que eu me lembrava de ter feito.
Eu lembro bem, já conhecia o amor, o carregava em meu ventre e por alguns momentos já havia visualizado suas formas e escutado as batidas do seu coração.
Desci do carro, meus pais me olharam extasiados, quase todas as pessoas que eu amava estavam ali, mas a escadaria era só minha naquele momento, minto. Minha e de mais três  anjos também vestidos de branco. Lindas... Cada uma com seu objetivo, mas nenhuma mais ou menos importante que a outra.
Passo a passo eu descia as escadas, alguém tratou logo de fechar a porta, como se faz tradicionalmente nos casamentos. Eu sabia de muitas coisas naquele momento, mas ao mesmo tempo eu não sabia de nada. Todos aqueles que eu carinhosamente convidei para abençoarem a minha decisão já tinham entrado, escolhi eu mesma a música que os emocionaria.
Antes que fechasse a porta eu pude fitar lá no altar um alguém ansioso, mas certo daquilo que estava fazendo.
Então, eu não me lembro de mais muita coisa, passo a passo, conduzida por meus pais, precedida por um dos anjinhos lindos de vestido branco, ao som da música “Eu sei que vou te amar” tudo o que eu conseguia ver era aquele sorriso lindo à minha espera no altar. Eu sempre amei aquele sorriso.
Como ele estava lindo, caminhou até mim, fez menção de agradecer e cumprimentou meu pai, que me entregou a mão a ele como quem solta um pássaro e diz “voa”.
A partir dali eu não voaria nunca mais sozinha, seus olhos me juravam a cada instante.  Eu me lembro  muito bem da cerimônia e dos conselhos que o padre nos deu, esqueci de mencionar que eu tinha 16 anos, um rostinho angelical. Idade e aparência que aparentava causar mais pena que felicidade naqueles que à dedo eu escolhi para partilharem o momento que eu jurei ser único na minha vida. Prometi muitas outras coisas também, algumas que a imaturidade, o tempo, as circunstâncias e a falta de experiência não me favoreceram a cumprir. Sinto muito.
Muito nervosa a voz mal saía, a aliança eu coloquei na mão errada e a voz embargada me impedia de gritar aos ventos que SIM! Eu aceitava, de livre e espontânea vontade, apesar de todos acharem loucura. Imaginem só! 16 anos, grávida de 3 meses... Foi um falatório que eu adorei! Já gostava de causar polêmica.
Não posso deixar de mencionar a minha irmã, com seus lindos cachos feitos em casa e as flores... Chorou o percurso todo até o altar, acho que era de alegria em ficar com o quarto só pra ela.
Mas eu me lembro de alguns rostos, do meu sogro, por exemplo, que sempre parecia me olhar com um ar de reprovação, da minha sogra, casando o segundo filho, esperando o primeiro neto, dos meus pais, quase que arrependidos e querendo me levar de volta pra casa onde até horas antes estava a minha escova de dente no banheiro, minha mãe chorou quando não a viu mais lá. Meu pai “Durão” estava lindo, mesmo com o terno abotoado do lado avesso, os padrinhos todos cheios de pompa, lembro-me do sorriso no rosto de cada um deles ao vir me cumprimentar.
Era maio, já estava muito frio, aquele ano fez um frio atípico, parece que o vento anunciava que a partir dali a vida não seria fácil. Aliás, chegar até ali já não tinha sido, como esquecer das minhas cunhadas que enfeitaram a igreja, já que não poderíamos gastar com floricultura?  
Eu não me lembro mais a música que nos conduziu do altar á uma vida nova, á uma vida nossa, os cumprimentos, as fotografias, pagas à muito custo. Na época, tradicionalmente os convidados iam até a casa dos noivos para ver os presentes... Pra nossa sorte, era na rua de trás da igreja em que nos casamos.
Um jantar simples, compartilhado com os amigos mais queridos e com a família, eu não via a hora de me ver livre daquele vestido!
Levaram-nos pra casa e ali eu tive um medo tão grande de não saber como e o que fazer pra dar certo. E como eu errei! Acertei também.  Os meses passaram, nosso bebê nasceu, as dificuldades iam e vinham e nós já estávamos mesmo acostumados. Mais três anos e tivemos a nossa princesa, nada menos dificultoso, mas éramos uma família feliz, podia ver meu filho brincar na areia, o vi dar os primeiros passos aos 8 meses, aprendeu a andar de bicicleta sozinho,  Maria era o xodó da casa, ainda é!
Alguns passos em falso, algumas atitudes erradas sei que de lá até aqui 12 anos se passaram, e eu posso dizer com toda a certeza do mundo hoje, SIM! Eu aceito!
Não sou muito de escrever sobre as pessoas que amo, tenho medo de frustrá-las, pessoas sempre criam expectativas e eu sou mestre em quebrá-las, mesmo que sem querer. Enfim, não posso deixar de falar sobre ele, aquele que me esperou no altar, segurou a minha mão, me sorriu para me dar a segurança de que eu não estava sozinha e nunca mais soltou. Mesmo nos momentos mais difíceis, mesmo quando eu não mereci, mesmo quando eu quis voar sozinha.
Esse homem com jeitinho de menino me amou cada dia desses 12 anos, me cuidou mesmo quando eu fiz besteira, ele nunca, nunca soltou a minha mão.
Dizem que algumas coisas são predestinadas, não sei... Só sei que em alguns casos duas pessoas se completam, se fundem, se tornam tão iguais que em certos momentos não se sabe mais onde começa um e termina outro, se tornam 3, 4 quem sabe 5... Criam laços, ganham amigos pra vida toda, ou só amigos pra lembrar na vida... E quando sentam no sofá da sala para relembrar o que já passou ainda conseguem rir de tudo.
Repito, a nossa vida não foi fácil, mas ele nunca, em momento algum deixou de me apoiar e se hoje eu sou uma pessoa um pouco melhor é porque eu o encontrei em meu caminho, ou ele me encontrou, vai saber.
E há quem diga que amor de carnaval só dura 4 noites... Naquele carnaval eu encontrei o homem da minha vida, aquele que passou por todas as dificuldades e tormentas comigo, sem nunca me julgar, culpar ou abandonar, depois daquele 11 de março nós nunca mais nos largamos, mas nada foi um conto de fadas, aprender a viver com alguém é muito difícil, exige que muitas vezes nos anulemos em virtude do outro, mas como  vibramos com uma vitória dele, uma vitória que também é nossa, sempre.
Era pra ser um sonho meu, sentada no carro olhando as escadas, mas é um sonho nosso, as subimos juntos e degrau por degrau chegamos aqui, ainda juntos.
Eu quero meu amor, te poder jurar tudo de novo, não lembro a ordem, nem as palavras, eu mal consegui repeti-las.
Mas hoje, depois de tudo. Eu juro te amar até o fim.

E pra quem pensa que amor não basta, eu digo que sim! 

junho 01, 2013

Mais um ano sem o seu riso...

Sempre que me lembro da tragédia que foi a sua morte, não penso nos possíveis diagnósticos, nem mesmo no choque inicial que foi ouvir, às 3:00 da manhã "Kate a Duda morreu" ou no choque posterior que foi sentir a sua falta dia pós dia e em todo sofrimento que sua partida ainda traz. Em vez  disso penso me vejo relembrando os momentos corriqueiros da nossa vida juntas, seu riso fácil, seus conselhos imponentes, seu jeito "eterna menina" de ser. Momentos que passaram despercebidos e que possivelmente jamais seriam rememorados não fosse a fatalidade de te perder tão jovem ainda.
Um consolo para nós é que sabemos que você se foi fazendo o que mais gostava: VIVENDO! Hoje, após dois anos, eu posso imaginar como foi o seu dia naquele dia... Fez as unhas, sempre sozinha, deu um retoque na sobrancelha  tomou seu costumeiro banho demorado, catando cada fiozinho de cabelo que ficasse na sua pele antes de se enrolar na toalha, até seu jeito de se enrolar na toalha era singular... Arrumou os cabelos, passou horas fazendo a maquiagem, escolhendo a roupa, o sapato... Sempre alto. Tá, eu sempre duvidei do seu problema no joelho, eu com metade da dor que você dizia ter, não pararia uma hora naquele salto, você bailava a noite toda, aliás, você bailava a vida... 
Suas unhas vermelhas, seu cabelo fino e cheiroso, seu perfume inconfundível... Eu sempre disse que suas coisas tinham o seu cheiro, por isso talvez, eu não consegui ficar com nenhuma peça sua pra mim, sentir seu cheiro todos os dias seria tortura... Mas eu vi o seu vidro de perfume na casa da mãe, viajei aos meus 13 anos, sim eu passava escondido... No meu íntimo eu sempre quis ser Duda, a destemida! Hoje quando dizem que você se foi, mas me deixou no seu lugar (pelas manhas e manias) eu me sinto é orgulhosa. Quisera eu, apesar de todos os seus erros, ter na minha vida a metade dos seus acertos, ter um terço da sua coragem, da sua garra e determinação.
Esssa noite eu perdi o sono, temos mais coisas em comum que eu poderia supor, mas enfim, perdi o sono e peguei o celular para olhar que horas eram e se faltava muito para o dia clarear, vi a data e consequentemente o mês. Comecei a chorar.
Que ironia do destino! Deus te levou no mesmo mês em que minha mãe nasceu, pior... Um dia depois... Acha pouco? Sua primeira neta nasceu no mesmo mês. Ela vai completar um ano e é linda, eu sempre quis que ela se parecesse com você, mas não precisamos de motivo algum para te lembrar.
Eu queria tanto que você ainda estivesse aqui... Tem gente precisando de você sabia? Do seu extinto leoa de ser mãe e proteger os seus.
Eu queria tanto voltar naquele dia, maldito dia que eu não me
despedi de você com um abraço, mesmo sem dizer, você sabe não é lá muito meu tipo, mas eu queria que você sentisse que eu te amava muito. Eu queria ter comprado uma rosa e te dado, nas suas mãos, não naquele maldito caixão. Aliás, passamos o batom errado em você, desculpa, eu sei que você preferiria o vermelho.

Eu queria saber como eu faço pra enviar essa carta pra você.

Eu queria você de volta.
Luto e saudades eternas.

maio 12, 2013

Quem sou eu? Decifra-me ou te devoro...


Eu sou assim, meio síndrome de Gabriela, meio metamorfose ambulante... Bipolar e depressiva diagnosticada e medicada... Passei meses de colchão e lágrimas. Descobri que as dores internas da gente ninguém nota. Se eu tivesse tido um câncer terminal essa cambada de hipócrita teria vindo me visitar pra sentir menos remorso depois. 
Já tentei me matar, acho que não era pra ser, mas se eu tivesse conseguido teriam ido ao meu velório, chorado e dito: "era tão boa" "parece que está dormindo" e depois da obrigação cumprida, dividiriam o valor de uma coroa de flores e iriam pra suas casas, com  a consciência tranquila... Ah! Colocariam uma nota no site oficial da faculdade que eu causei tanta intriga nos últimos 4 anos... 
Não tenho medo de viver, mas nos últimos tempos não tenho sido muito eu... Tenho poucos amigos, raros e caros... Se você faz parte deles não tenha dúvidas eu amo você.
Não sou religiosa, mas grito ai meu Deus toda vez que a coisa aperta. Meus filhos são a minha vida e nos últimos 12 anos todas as decisões que tomei foram em função deles. Cara! eu já fiz muita merda nessa vida, mas como eu cresci. 
Tô mais perto dos 30 que dos 20 e me sinto renovada, apesar dessa doença que me tomou um ano todo, talvez 4... 
Não sou normal, não sou comum e até hoje não descobri o que é essa tal de felicidade... Na minha teoria ela é feita de alguns momentos raros e custa caro pra caramba. Também aposto que a humanidade inteira é triste e passa a vida procurando algo que nunca encontra. 
Eu acredito que exista uma espécie de Nárnia por ai, não faz sentido passarmos por aqui pra agradar ou desagradar, brilhar ou passar despercebido e só! Todos os dias eu fecho os meus olhos e viajo para um mundo só meu. 
Sou leitora, "escrivinhadora", não sou fútil, nem fresca! Sim eu mato barata... canto alto a música com a letra errada, dou gargalhada nas horas mais impróprias, conto piada sem graça e fico braba se você não rir, trabalho 12 horas por dia se preciso for, cozinho, faço doces e faço doce... rsrs, sou uma mulher completinha e completamente diferente de qualquer uma que você já viu por ai.
Tenho poucos arrependimentos, um deles é não ter escutado mais os conselhos de um amigo muito especial, mas o último que ele me deu foi: Trace metas e tenha planos... Foi mais ou menos isso, o que só confirmou a minha teoria de que tirando amor de mãe (algumas) o resto é pura conveniência... 
Quer saber, um dia eu boto duas camisetas numa mochila e saio descobrir a que vim, mas enquanto não posso, informo que estou dando a volta por cima, sacudindo a poeira e tentando de novo.
Sempre ouvi as pessoas me dizerem que eu sou (era) guerreira, que tinha foco, garra, fibra... Hoje eu tenho uma necesserie de remédios controlados na bolsa. Como eu cheguei aqui? Agora eu sei que eu mesma coloquei cada tijolinho do muro que me separou do mundo por um pouco mais de um ano... 
Eu ainda não achei a minha força, mas quando eu vi a foto da minha filha num voo livre do sofá ao chão, lembrei que eu também posso voar, eu tinha tantos planos pra voar alto, eu tinha tanto potencial... 
Nesse momento eu tenho força de vontade... Espero que me baste... Queria ter fé, mas a gente vê tanta injustiça nesse mundo que eu guardei a minha em algum lugar... 
Do tempo que perdi, sinto muito... Das pessoas que perdi, sinto mais ainda, por eles... 
Eu não tenho medo de ameaças e adoro um desafio então, cuidado onde pisa, não vem pensando que me conhece que você só sabe de mim o que eu permito que você saiba. 
E quando eu decido que eu quero uma coisa, eu vou à luta e consigo, não desisto... Não desistirei mais... 
Das pessoas que magoei, algumas merecem que eu peça perdão, outras são como diz minha avó: "Por fora bela viola, por dentro pão bolorento"...
Cabe a você decidir se sou merecedora ao menos do seu respeito, cabe a mim os meus erros e acertos. 
Sem mais.

abril 15, 2013

Estou no 28º andar...
Passei parte da vida em busca de me sentir livre, aqui posso sentir o vento tocar meu rosto.
É hora de saber se aprendi  a voar. Tanto tempo treinando alçar voo e ir pra algum lugar daqui. Tenho medo, muito medo.
Nunca senti tanto pavor.
Um passo, apenas um passo e serei livre das amarras do mundo que me prendem e me fazem me sentir tão infeliz. 
A psiquiatra tenta insistentemente me convencer que não é hora de partir, tomar decisões drásticas e eu sou tão "de momento".
Então, subi aqui e estou sentada há dias, vendo as horas passarem. Em modo off.
Li em algum lugar que era preciso uma caixa de lápis de cores para colorir o mundo, meu mundo anda meio apagado, é bem verdade. Será que eu ainda sei pintar?
Dou o passo que faltava e caio...
lentamente caio, e vejo os erros todos bem visíveis em minha frente. Naturalmente nós e os outros gritamos aos ventos os nossos defeitos, mas sussuramos nossas qualidades. 
Eu digo pra psiquiatra que sinto o gosto amargo do fracasso, a voz embarga e eu só consigo lembrar que eu tinha tantos planos.
Vou dançando e rodopiando no ar, finalmente livre.
Que será liberdade? Existe alguém realmente livre?
É assim que eu me sinto, sentada ali, frente a uma pessoa tão estranha e tão intíma... Rodopiando no ar e nesse exato momento eu não tenho medo de cair.
Contraditório que alguém que sempre teve medo de altura sinta-se agora no 28º andar, prestes  a se jogar... Voar sempre foi meu maior pavor. Sonhei anos a fio que estava voando.
Hoje acordo apavorada, com o coração batendo à mil. Rivotril talvez tenha se tornado meu melhor amigo. 
Tenho medo do novo, tenho medo de novo... 
Acabo dando um passo para trás. Me sento ali, sinto o vento... Talvez seja bom que eu ainda possa senti-lo. To assistindo a vida passar. 
Alguém liga meu modo on, please?! 

dezembro 24, 2012

Meu espírito natalino...


A primeira vez eu não me lembro, devia ter um ano e alguns meses... Com certeza eu senti o mesmo que sinto agora... O que há de errado em mim?
Cresci, me tornei um cofre fechado a sete chaves, ah! Como eu tive dificuldade para aprender a demonstrar amor. Não que hoje seja fácil para mim, mas às vezes eu consigo.
Traumas, lembranças, medos guardados...
A segunda vez?
Eu tenho 27 anos, claro eu já não preciso de tantos cuidados e apesar de parecer essa fortaleza, dói em mim ser “rejeitada” pela segunda vez, por aquele que tem a “obrigação” de me amar.
Justo eu! Que passei os últimos meses da minha vida sofrendo uma dor que não era minha... Que eu fiz de errado? Diz aí?!
Na primeira vez, sem julgamentos precipitados, ele foi cuidar da sua “nova família” Dá pra contar nos dedos das mãos quantas vezes o vi, não conhece meus filhos, quem perde é ele.
Na segunda vez, agora que sei avaliar (tudo bem eu to em tratamento psicológico e o médico me proibiu até de pensar) ele também foi cuidar da nova família, me excluindo completamente, talvez ele não saiba quantas noites eu passei em claro chorando com medo do que ele poderia fazer no dia seguinte.
Rejeitada duas vezes... E já dizia o ditado: FILHO É DE MÃE!

julho 20, 2012

Pertencentes, pertencer, pertences, pertencendo...


E você? Pertence a alguém? a algum lugar?
É que acordei hoje pensando que eu não pertenço a esse lugar... É sério, meu psicólogo disse que vai me internar! Não tô achando uma má ideia não...
Desapegada que sou, não gosto que me esperem, eu não tenho hora pra voltar, nem pra chegar e muito menos pra ir embora, mas eu pertenço a alguém, eu tenho alguns pertencentes... Aqui, acolá... 
Às vezes me dá uma vontade de fazer as malas e sair caminhando, dane-se a faculdade, o curso de inglês, o trabalho, o casamento, o filme da locadora que eu não devolvi... Tenho espírito andarilho, não consigo controlar...
Amanheci pertencendo... Pertencendo a um mundo no qual eu não me encaixo...
Meus pertences não cabem mais numa mochila.  E os seus?   

junho 25, 2012



Até que uma parede vos separe...


Eu tinha 10 anos de idade outra vez quando entrei naquela sala... Suja, um colchão encardido e sem lençol encostado na parede, do outro lado um fogão velho que das 4 bocas só funcionava uma, duas talvez. Recordei-me da assistente social, fazendo as visitas de praxe, identificando em nós doenças causadas pela urina de ratos, ratos enormes... Naquela casa velha eles eram maioria... E era tudo que o salário do pai dava pra pagar, diga-se de passagem, o salário de seus dois empregos... Curitiba era fria naquela época, mais que agora, me lembro dele levantando na madrugada gelada, lembro-me da camisa e da blusa de uniforme, azuis, lembro-me do cheiro dele, nem preciso me esforçar muito... Meu pai sempre teve um cheiro só dele... Eu seria capaz de reconhecer dentre um milhão. Não era um cheiro gostoso, era meio tinta e suor, às vezes graxa...
A casa velha de madeira era enorme, mas tinha apenas dois quartos, eu dividia com o irmão do meio e com as máquinas da mamãe... Ela virava as noites costurando, e aquele quarto também tinha um cheiro característico... De tecido e pó...  Eu não me importava com os ratos, com a pobreza, com a falta da presença dos meus pais... A cerejeira no quintal e a fábrica abandonada no fundo supriam todas as nossas necessidades infantis... Aos 10 anos eu andava sozinha na rua com os irmãos menores, levava-os à escola, atravessávamos as ruas movimentadas fazendo firula, nem se falava em violência... Vez ou outra desaparecia uma criança, geralmente nos mercados ou shoppings, não tínhamos dinheiro pra frequentar esses lugares.
Os anos foram passando e a pobreza continuava a mesma, aos 13 eu adoraria ter um par de  tênis ... Então, depois a vida tornou-se melhor, não vivíamos mais em casa de chão batido, tínhamos até chuveiro em casa, veja só! A essa altura já havíamos mudado pra um não sei que número de cidades e casas diferentes, eu não me lembro de ver meus pais desistirem... Desanimavam e se apegavam numa fé que eu nunca soube bem de onde vinha, tentavam outra vez, de outras formas, algumas vezes em outros lugares... Talvez venha daí o meu desapego com tudo, sempre fui um pouco (muito) cigana...
Cresci, o tempo passou e tudo se tornou melhor, não menos dificultoso, mas melhor... A casa agora era própria, meu pai tornou-se um avô bobão... Nunca consegui frear os exageros dele, porque ele sempre me fitava com os olhos e dizia: “Quando você era pequena eu não pude te dar, agora posso”... Eu tenho um orgulho imenso do meu pai...
Estava do lado de cá da parede quando o ouvi chegar... Fui até lá e o que vi me transportaram novamente aos 12 anos, só que agora nada mais unia meus pais, e além de tudo o que os separava havia uma parede de madeira barata, não servia nem pra separar os cheiros e ruídos, de um lado eu podia sentir o cheiro da comida do outro... Podia ouvir também as ofensas trocadas...
Divisão de bens...  Inversão de valores... Fogo cruzado, festival de ofensas descabidas... Quase 30 anos de uma vida partilhada, duramente partilhada, e tudo se resume em partilha de bens, de dividas...
No carro, de volta pra casa, eu tenho novamente 27 anos...  Eu tenho vontade de chorar... E eu não tenho palavras pra descrever aquele cenário psicológico...
De volta pra casa eu me sinto naquela casa de madeira velha, mas agora eu sinto medo dos ratos, agora eu sinto a falta dos meus pais, eles não estão trabalhando...  E eu já não tenho mais idade pra subir na cerejeira e me esconder...

janeiro 18, 2012

Das críticas (des)construtivas e (des)necessárias...

Quem sou eu agora? Definitivamente, eu mudei e não percebi. 
É, concordo que algumas coisas podem ter se tornado melhor mesmo, mas confesso que preferia ser aquela menina que não se importava com a opinião alheia. Ainda mais se ela tivesse a miníma intenção de me deixar pra baixo.
Que importa se dissessem que  não sobreviveria escrevendo crônicas e poemas? Importa mesmo? Antes não, bastava  saber que faria bem qualquer coisa a que estivesse disposta a fazer. 
Hoje porém...  As opiniões me ferem, ainda que eu não as peça.

janeiro 12, 2012

Das coisas que só mãe sabe...


Crianças ficam elétricas quando chove, não sei se existe mesmo uma explicação científica ou se é apenas o fato de eles terem que ficar presos em casa, fato é que sempre ouvi minha mãe e tias dizerem "é a chuva, essas crianças estão impossíveis hoje". 
Amanheceu chovendo e até meio dia eu devo ter escutado uns 50 gritos: O mãeeeeee.... Até que cansei de brincar de surdez seletiva e coloquei-os de castigo, um em cada quarto.
Acontece que o silêncio e a aceitação do castigo despertaram a minha atenção, então fui verificar.
Pasme, eles estavam brigando, trocando bilhetes por baixo da porta! 
O bilhete dizia mais ou menos isso: Maria pára de me mandar bilhetinho porque você é muito chata e por sua causa eu estou de castigo, terminava assim: Um desenho pra você.
Aí ele desenhou a bandeira do palmeiras (time que ela torce) e escreveu Beijo... 
Bom, pelo menos o castigo serve pra que eles desenvolvam o gosto pela escrita... 

janeiro 09, 2012

Desapegue-se



Quando aprendi a não precisar, passei a ser mais feliz... Desapego! A palavra de ordem. 
Sabe todas aquelas coisas que você pensa que precisa pra viver e na verdade te fazem mais mal que bem? Então... 
Eu não vou mais atrás de quem não move um passo em minha direção, não quero perto de mim gente que não sabe sorrir com os olhos, quem não tem ritmo e poesia nas palavras. Olhos e sorrisos sinceros. Aliás, que vá pra longe, bem longe, toda a falsidade das palavras vãs... Pa-la-vras, livre-me delas... E quanto maior a explicação, maior a mentira.
Mas era de desapego que estávamos falando, não era? Pois é, já pequena, de família cheia de primos, pobre, irmã e neta mais velha, fui educada no sistema de trocas. Eu uso, tu usas, nós usamos... E as roupas, sapatos e brinquedos iam e vinham dos primos pra mim, de mim pros irmãos. 
Uma lição: As coisas que não servem mais são passadas aos outros, mas se não prestar, meu bem... LI-XO!!! Ééé... Ops... 
Duas conclusões:
Não era insubstituível como pensavas... 
E mãe, não éramos pobres... Éramos SUS-TEN-TÁ-VEIS!!!

dezembro 12, 2011

Tem cheiro de chá!


Estávamos almoçando quando ela me disse:
Mãe, eu tenho mania de cheirar tudo o que vou comer.
Olhei para o pai dela e vi a mesma cara de espanto que eu devo ter feito. Pra quem não sabe eu tenho essa mania desde pequena.
Ontem pedi para que fosse até a horta pegar hortelã pra colocar no suco. Abaixadinha lá ela me chamou na janela.
Mãe qual é hortelã?
Este aí filha, pega uma folhinha... Tem um cheiro bom?
Tem cheiro de chá. Respondeu...
Engraçado. Nunca a vi tomar chá, nunca gostou, desde quando era bebê. Como ela conhece o cheiro?
Temos mais dos nossos pais do que pensamos. Influenciamos mais os nossos filhos do que gostaríamos. É fato.

dezembro 10, 2011

Lençóis no varal


Quando era criança não havia prazer maior, correr entre os lençóis pendurados no quintal, sentir o cheiro bom que o vento trazia. Adulta, lençóis ainda trazem prazer, nada melhor que roupa de cama limpinha, cheirosa, macia...
Ontem eu fugi de casa, é fui embora pra sempre, como quando eu tinha 8 anos. Sai esbravejando: E você nunca mais vai me ver! Eu dizia isso olhando no espelho... Fugi pro quintal, sentei embaixo da árvore (eu não consigo mais subir como quando tinha 8 anos) e fiquei lá, esperando alguém sentir a minha falta. Deveria ter esperado até a hora do jantar, minha mãe sempre sentia minha falta quando colocava o jantar na mesa, certamente sentiriam a minha se o jantar não fosse posto...
Fato é que fiquei lá, por cinco eternos minutos. Observando os lençóis e recordando a criança que brincava por entre eles. Eu me tornei uma adulta chata, gritando na janela pra que saíssem com as mãos sujas de perto do varal.
Adultos não têm tempo pra sentar embaixo da árvore, voltei pra casa frustrada porque ninguém sentiu a minha falta. Mais tarde preparei o jantar e recolhi os lençóis enquanto chamava pelas crianças que brincavam há horas, talvez também tenham fugido pra sempre e eu não notei.
Melhor voltarmos pra casa.

dezembro 04, 2011

Sobre o canto dos sabiás e o sorriso que ele traz...





O dia mal amanheceu e um som me despertou lembranças... Eu, que não gosto de sítio e mato, acordei sorrindo, saltei da cama e abri a janela pra poder olhar pra fora.  Não vi de onde vinha, mas sem dúvidas me era um som familiar, um som com gostinho de lembrança boa. Seus olhos fechados e seu sorriso perfeito, sincero... Toda vez que eu escutar o canto de um sabiá serei eu quem irá sorrir, sabia?

"Ninguém nunca me viu tão transparente como você, ninguém nunca soube do meu medo de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser boa o suficiente"...

novembro 07, 2011

Hoje eu só quero que o dia termine (bem? Não importa)...

Tive sonhos pertubadores noite passada, obviamente não os relataria aqui... Acordei mais cansada que nunca, mais confusa que nunca, juro! fiquei alguns minutos tentando separar o que tinha sido sonho e o que realmente havia acontecido, resultado: eu não quero sair da minha cama.
Abro os olhos, percebo que não chove, fecho-os imediatamente.
Lembro-me que combinei com alguém às 10 da manhã, são 8:20, mas eu não vou levantar... Se o telefone tocar eu não atendo, se baterem à porta eu nem respiro,  faço de conta que não tem ninguém em casa e depois eu penso numa desculpa.
Finalmente eu me convenço de que preciso abrir os olhos, meia hora pra ter coragem de tirar o pijama. Tirem esse espelho daqui! nossa como estou GORDA!
Já sei, vou pra internet... deve ter algo interessante lá... E tem. Uma amiga com o humor pior que o meu, interessante...
Tento de tudo, ouço musicas, leio as últimas atualizações on line, descubro que existe mais gente que odeia a segunda feira...
Eu até ri de uma demonstração pura de amor entre irmãos aqui em casa mas foi um riso momentâneo, passou...
Na internet eu vi que as pessoas contam que receberam mensagem de alguém especial, que o remédio pro mau humor é sexo, que o time não ganhou o jogo contra o pior do campeonato (o meu também perdeu ontem), que o tênnis não presta e foi trocado por um pior, que quebrou o calcanhar (nunca vi isso, juro)...  Meu media player não aceita os comandos que eu dou, que ódiooo!!! Hoje é segunda feira, tem uma pilha de livros que eu preciso ler pra ontem, tem louça na pia, roupa na máquina e o meu humor vai de mal à pior...
Chego então a duas conclusões :
1ª Não basta ser segunda-feira, tem que estar de mau humor...
2ª Eu acho que tô de mau humor...

novembro 03, 2011

Eu deixaria tudo se você ficasse ?


Tenho dias de depressão profunda, meu quarto é o meu refúgio, janelas e portas trancadas, não quero ver a luz do sol... O clima de inverno me faz não querer sair da cama, músicas me fazem companhia, quero estar só com os meus pensamentos... Mas mudaria de ideia se você pudesse estar aqui, não precisava dizer nada, bastava ficar deitado aqui ao meu lado, sorrir vez em quando das minhas caretas, da minha caretice, do meu medo de nunca mais te ter. Eu abro as portas do meu mundo se for pra você. Fica mais um pouco?

Fica pra sempre... 

outubro 28, 2011

Almas, Sonhos, Vidas, Amores aprisionados...

Fernanda sonhou noite passada que conseguira romper todas as correntes que a aprisionavam, acordou ofegante, no sonho ela quebrava as correntes e corria, corria pra muito longe dali. Não olhava para trás, algumas coisas precisam simplesmente ser abandonadas, outras não são permitidas. Fernanda sonhou a vida inteira e em seus sonhos o mundo era todo azul.
Aconteceu que nesta manhã ela deu-se conta da tolice dos sonhos, deu-se conta do peso das correntes, tentou entender o motivo de não livrar-se delas, correntes, ainda que psicológicas aprisionam e estar aprisionado dói.  Quis acordar.
Primeiro passo. Acordar...
Existem pessoas que passam a vida toda em total inércia, acreditando que estão acorrentados a algo ou a alguém, não estão.
Outras até livram-se das correntes, mas jamais conseguem chegar até a porta e sair. Estar preso pode ao mesmo tempo em que acorrenta trazer segurança, quando as decepções são conhecidas e limitadas o antídoto é naturalmente produzido, com o tempo já nem pesa mais.
Imaginem só, se viéssemos com um botãozinho escrito “ejetar”... Um toque e estaríamos livres, porém, algumas pessoas não sabem voar, pousar em segurança, caminhar sozinhas. Estar acorrentado para estas pessoas significa mais, significa estar seguro, limita-se a ficar em território conhecido e nunca conhecerão o jardim ao lado, pois a corrente não chega até o muro.
De que você tem medo? Você não sabe voar?
Talvez tenha medo de apaixonar-se pela liberdade e livre nunca mais querer voltar.
De que eu tenho medo? Bem, eu tenho medo de perder, nunca soube lidar com as perdas. As minhas correntes ainda que me aprisionem e pesem me fazem saber quem estará sempre ali, de certa forma acorrentadas a mim... Você está sempre ali, ao alcance dos meus olhos, atento aos meus chamados, ainda que furioso me diga às vezes que me odeia e que nunca mais voltará. Atende aos meus chamados no primeiro toque, suavemente me diz “oi” e desmancha-se se digo “senti sua falta”, não importa quanto tempo ficamos sem nos falar. E quando eu te vejo, ah... Quando eu te vejo...
Eu não posso me livrar das minhas amarras, existem ali sentimentos e pessoas que eu simplesmente não saberia como deixar sem olhar pra trás. Sinto muito. Mas eu quero afrouxar aquelas que te prendem a mim, juro eu não me afastarei, visto que minha covardia não me deixa me aproximar do muro e ver as belezas de outros jardins, eu já tentei. 
Eu te solto, assim, aos poucos... Combinado? E você se vai, se quiser... Se voltar, não são as correntes que nos prendem, é o amor.
Eu me aprisiono, covardemente tenho medo do desconhecido, mas quero acorrentados a mim apenas os que estiverem ali por me amar. Afinal, não existe outro motivo, pra sentar ao meu lado e ficar, ou me amas ou és louco.
Me diz, o que te prende ?