maio 12, 2013
Quem sou eu? Decifra-me ou te devoro...
Eu sou assim, meio síndrome de Gabriela, meio metamorfose ambulante... Bipolar e depressiva diagnosticada e medicada... Passei meses de colchão e lágrimas. Descobri que as dores internas da gente ninguém nota. Se eu tivesse tido um câncer terminal essa cambada de hipócrita teria vindo me visitar pra sentir menos remorso depois.
Já tentei me matar, acho que não era pra ser, mas se eu tivesse conseguido teriam ido ao meu velório, chorado e dito: "era tão boa" "parece que está dormindo" e depois da obrigação cumprida, dividiriam o valor de uma coroa de flores e iriam pra suas casas, com a consciência tranquila... Ah! Colocariam uma nota no site oficial da faculdade que eu causei tanta intriga nos últimos 4 anos...
Não tenho medo de viver, mas nos últimos tempos não tenho sido muito eu... Tenho poucos amigos, raros e caros... Se você faz parte deles não tenha dúvidas eu amo você.
Não sou religiosa, mas grito ai meu Deus toda vez que a coisa aperta. Meus filhos são a minha vida e nos últimos 12 anos todas as decisões que tomei foram em função deles. Cara! eu já fiz muita merda nessa vida, mas como eu cresci.
Tô mais perto dos 30 que dos 20 e me sinto renovada, apesar dessa doença que me tomou um ano todo, talvez 4...
Não sou normal, não sou comum e até hoje não descobri o que é essa tal de felicidade... Na minha teoria ela é feita de alguns momentos raros e custa caro pra caramba. Também aposto que a humanidade inteira é triste e passa a vida procurando algo que nunca encontra.
Eu acredito que exista uma espécie de Nárnia por ai, não faz sentido passarmos por aqui pra agradar ou desagradar, brilhar ou passar despercebido e só! Todos os dias eu fecho os meus olhos e viajo para um mundo só meu.
Sou leitora, "escrivinhadora", não sou fútil, nem fresca! Sim eu mato barata... canto alto a música com a letra errada, dou gargalhada nas horas mais impróprias, conto piada sem graça e fico braba se você não rir, trabalho 12 horas por dia se preciso for, cozinho, faço doces e faço doce... rsrs, sou uma mulher completinha e completamente diferente de qualquer uma que você já viu por ai.
Tenho poucos arrependimentos, um deles é não ter escutado mais os conselhos de um amigo muito especial, mas o último que ele me deu foi: Trace metas e tenha planos... Foi mais ou menos isso, o que só confirmou a minha teoria de que tirando amor de mãe (algumas) o resto é pura conveniência...
Quer saber, um dia eu boto duas camisetas numa mochila e saio descobrir a que vim, mas enquanto não posso, informo que estou dando a volta por cima, sacudindo a poeira e tentando de novo.
Sempre ouvi as pessoas me dizerem que eu sou (era) guerreira, que tinha foco, garra, fibra... Hoje eu tenho uma necesserie de remédios controlados na bolsa. Como eu cheguei aqui? Agora eu sei que eu mesma coloquei cada tijolinho do muro que me separou do mundo por um pouco mais de um ano...
Eu ainda não achei a minha força, mas quando eu vi a foto da minha filha num voo livre do sofá ao chão, lembrei que eu também posso voar, eu tinha tantos planos pra voar alto, eu tinha tanto potencial...
Nesse momento eu tenho força de vontade... Espero que me baste... Queria ter fé, mas a gente vê tanta injustiça nesse mundo que eu guardei a minha em algum lugar...
Do tempo que perdi, sinto muito... Das pessoas que perdi, sinto mais ainda, por eles...
Eu não tenho medo de ameaças e adoro um desafio então, cuidado onde pisa, não vem pensando que me conhece que você só sabe de mim o que eu permito que você saiba.
E quando eu decido que eu quero uma coisa, eu vou à luta e consigo, não desisto... Não desistirei mais...
Das pessoas que magoei, algumas merecem que eu peça perdão, outras são como diz minha avó: "Por fora bela viola, por dentro pão bolorento"...
Cabe a você decidir se sou merecedora ao menos do seu respeito, cabe a mim os meus erros e acertos.
Sem mais.
abril 15, 2013
Estou no 28º andar...
Passei parte da vida em busca de me sentir livre, aqui posso sentir o vento tocar meu rosto.
É hora de saber se aprendi a voar. Tanto tempo treinando alçar voo e ir pra algum lugar daqui. Tenho medo, muito medo.
Nunca senti tanto pavor.
Um passo, apenas um passo e serei livre das amarras do mundo que me prendem e me fazem me sentir tão infeliz.
A psiquiatra tenta insistentemente me convencer que não é hora de partir, tomar decisões drásticas e eu sou tão "de momento".
Então, subi aqui e estou sentada há dias, vendo as horas passarem. Em modo off.
Li em algum lugar que era preciso uma caixa de lápis de cores para colorir o mundo, meu mundo anda meio apagado, é bem verdade. Será que eu ainda sei pintar?
Dou o passo que faltava e caio...
lentamente caio, e vejo os erros todos bem visíveis em minha frente. Naturalmente nós e os outros gritamos aos ventos os nossos defeitos, mas sussuramos nossas qualidades.
Eu digo pra psiquiatra que sinto o gosto amargo do fracasso, a voz embarga e eu só consigo lembrar que eu tinha tantos planos.
Vou dançando e rodopiando no ar, finalmente livre.
Que será liberdade? Existe alguém realmente livre?
É assim que eu me sinto, sentada ali, frente a uma pessoa tão estranha e tão intíma... Rodopiando no ar e nesse exato momento eu não tenho medo de cair.
Contraditório que alguém que sempre teve medo de altura sinta-se agora no 28º andar, prestes a se jogar... Voar sempre foi meu maior pavor. Sonhei anos a fio que estava voando.
Hoje acordo apavorada, com o coração batendo à mil. Rivotril talvez tenha se tornado meu melhor amigo.
Tenho medo do novo, tenho medo de novo...
Acabo dando um passo para trás. Me sento ali, sinto o vento... Talvez seja bom que eu ainda possa senti-lo. To assistindo a vida passar.
Alguém liga meu modo on, please?!
Passei parte da vida em busca de me sentir livre, aqui posso sentir o vento tocar meu rosto.
É hora de saber se aprendi a voar. Tanto tempo treinando alçar voo e ir pra algum lugar daqui. Tenho medo, muito medo.
Nunca senti tanto pavor.
Um passo, apenas um passo e serei livre das amarras do mundo que me prendem e me fazem me sentir tão infeliz.
A psiquiatra tenta insistentemente me convencer que não é hora de partir, tomar decisões drásticas e eu sou tão "de momento".
Então, subi aqui e estou sentada há dias, vendo as horas passarem. Em modo off.
Li em algum lugar que era preciso uma caixa de lápis de cores para colorir o mundo, meu mundo anda meio apagado, é bem verdade. Será que eu ainda sei pintar?
Dou o passo que faltava e caio...
lentamente caio, e vejo os erros todos bem visíveis em minha frente. Naturalmente nós e os outros gritamos aos ventos os nossos defeitos, mas sussuramos nossas qualidades.
Eu digo pra psiquiatra que sinto o gosto amargo do fracasso, a voz embarga e eu só consigo lembrar que eu tinha tantos planos.
Vou dançando e rodopiando no ar, finalmente livre.
Que será liberdade? Existe alguém realmente livre?
É assim que eu me sinto, sentada ali, frente a uma pessoa tão estranha e tão intíma... Rodopiando no ar e nesse exato momento eu não tenho medo de cair.
Contraditório que alguém que sempre teve medo de altura sinta-se agora no 28º andar, prestes a se jogar... Voar sempre foi meu maior pavor. Sonhei anos a fio que estava voando.
Hoje acordo apavorada, com o coração batendo à mil. Rivotril talvez tenha se tornado meu melhor amigo.
Tenho medo do novo, tenho medo de novo...
Acabo dando um passo para trás. Me sento ali, sinto o vento... Talvez seja bom que eu ainda possa senti-lo. To assistindo a vida passar.
Alguém liga meu modo on, please?!
dezembro 24, 2012
Meu espírito natalino...
A primeira vez eu não
me lembro, devia ter um ano e alguns meses... Com certeza eu senti o mesmo que
sinto agora... O que há de errado em mim?
Cresci, me tornei um
cofre fechado a sete chaves, ah! Como eu tive dificuldade para aprender a
demonstrar amor. Não que hoje seja fácil para mim, mas às vezes eu consigo.
Traumas, lembranças,
medos guardados...
A segunda vez?
Eu tenho 27 anos, claro
eu já não preciso de tantos cuidados e apesar de parecer essa fortaleza, dói em
mim ser “rejeitada” pela segunda vez, por aquele que tem a “obrigação” de me
amar.
Justo eu! Que passei os
últimos meses da minha vida sofrendo uma dor que não era minha... Que eu fiz de
errado? Diz aí?!
Na primeira vez, sem
julgamentos precipitados, ele foi cuidar da sua “nova família” Dá pra contar
nos dedos das mãos quantas vezes o vi, não conhece meus filhos, quem perde é
ele.
Na segunda vez, agora
que sei avaliar (tudo bem eu to em tratamento psicológico e o médico me proibiu
até de pensar) ele também foi cuidar da nova família, me excluindo
completamente, talvez ele não saiba quantas noites eu passei em claro chorando
com medo do que ele poderia fazer no dia seguinte.
Rejeitada duas vezes...
E já dizia o ditado: FILHO É DE MÃE!
julho 20, 2012
Pertencentes, pertencer, pertences, pertencendo...
E você? Pertence a alguém? a algum lugar?
É que acordei hoje pensando que
eu não pertenço a esse lugar... É sério, meu psicólogo disse que vai me
internar! Não tô achando uma má ideia não...
Desapegada que sou, não gosto que
me esperem, eu não tenho hora pra voltar, nem pra chegar e muito menos pra ir
embora, mas eu pertenço a alguém, eu tenho alguns pertencentes... Aqui,
acolá...
Às vezes me dá uma vontade de
fazer as malas e sair caminhando, dane-se a faculdade, o curso de inglês, o
trabalho, o casamento, o filme da locadora que eu não devolvi... Tenho espírito
andarilho, não consigo controlar...
Amanheci pertencendo... Pertencendo
a um mundo no qual eu não me encaixo...
Meus pertences não cabem mais
numa mochila. E os seus?
junho 25, 2012
Até que uma parede vos separe...
Eu tinha 10 anos de idade
outra vez quando entrei naquela sala... Suja, um colchão encardido e sem lençol
encostado na parede, do outro lado um fogão velho que das 4 bocas só funcionava
uma, duas talvez. Recordei-me da assistente social, fazendo as visitas de
praxe, identificando em nós doenças causadas pela urina de ratos, ratos
enormes... Naquela casa velha eles eram maioria... E era tudo que o salário do
pai dava pra pagar, diga-se de passagem, o salário de seus dois empregos...
Curitiba era fria naquela época, mais que agora, me lembro dele levantando na
madrugada gelada, lembro-me da camisa e da blusa de uniforme, azuis, lembro-me
do cheiro dele, nem preciso me esforçar muito... Meu pai sempre teve um cheiro
só dele... Eu seria capaz de reconhecer dentre um milhão. Não era um cheiro
gostoso, era meio tinta e suor, às vezes graxa...
A casa velha de madeira era
enorme, mas tinha apenas dois quartos, eu dividia com o irmão do meio e com as
máquinas da mamãe... Ela virava as noites costurando, e aquele quarto também
tinha um cheiro característico... De tecido e pó... Eu não me importava com os ratos, com a
pobreza, com a falta da presença dos meus pais... A cerejeira no quintal e a
fábrica abandonada no fundo supriam todas as nossas necessidades infantis...
Aos 10 anos eu andava sozinha na rua com os irmãos menores, levava-os à escola,
atravessávamos as ruas movimentadas fazendo firula, nem se falava em
violência... Vez ou outra desaparecia uma criança, geralmente nos mercados ou
shoppings, não tínhamos dinheiro pra frequentar esses lugares.
Os anos foram passando e a
pobreza continuava a mesma, aos 13 eu adoraria ter um par de tênis ... Então, depois a vida tornou-se
melhor, não vivíamos mais em casa de chão batido, tínhamos até chuveiro em
casa, veja só! A essa altura já havíamos mudado pra um não sei que número de
cidades e casas diferentes, eu não me lembro de ver meus pais desistirem...
Desanimavam e se apegavam numa fé que eu nunca soube bem de onde vinha,
tentavam outra vez, de outras formas, algumas vezes em outros lugares... Talvez
venha daí o meu desapego com tudo, sempre fui um pouco (muito) cigana...
Cresci, o tempo passou e tudo
se tornou melhor, não menos dificultoso, mas melhor... A casa agora era
própria, meu pai tornou-se um avô bobão... Nunca consegui frear os exageros
dele, porque ele sempre me fitava com os olhos e dizia: “Quando você era
pequena eu não pude te dar, agora posso”... Eu tenho um orgulho imenso do meu
pai...
Estava do lado de cá da
parede quando o ouvi chegar... Fui até lá e o que vi me transportaram novamente
aos 12 anos, só que agora nada mais unia meus pais, e além de tudo o que os
separava havia uma parede de madeira barata, não servia nem pra separar os
cheiros e ruídos, de um lado eu podia sentir o cheiro da comida do outro...
Podia ouvir também as ofensas trocadas...
Divisão de bens... Inversão de valores... Fogo cruzado, festival
de ofensas descabidas... Quase 30 anos de uma vida partilhada, duramente
partilhada, e tudo se resume em partilha de bens, de dividas...
No carro, de volta pra casa,
eu tenho novamente 27 anos... Eu tenho
vontade de chorar... E eu não tenho palavras pra descrever aquele cenário
psicológico...
De volta pra casa eu me sinto
naquela casa de madeira velha, mas agora eu sinto medo dos ratos, agora eu
sinto a falta dos meus pais, eles não estão trabalhando... E eu já não tenho mais idade pra subir na
cerejeira e me esconder...
janeiro 18, 2012
Das críticas (des)construtivas e (des)necessárias...
Quem sou eu agora? Definitivamente, eu mudei e não percebi.
É, concordo que algumas coisas podem ter se tornado melhor mesmo, mas confesso que preferia ser aquela menina que não se importava com a opinião alheia. Ainda mais se ela tivesse a miníma intenção de me deixar pra baixo.
Que importa se dissessem que não sobreviveria escrevendo crônicas e poemas? Importa mesmo? Antes não, bastava saber que faria bem qualquer coisa a que estivesse disposta a fazer.
Hoje porém... As opiniões me ferem, ainda que eu não as peça.
É, concordo que algumas coisas podem ter se tornado melhor mesmo, mas confesso que preferia ser aquela menina que não se importava com a opinião alheia. Ainda mais se ela tivesse a miníma intenção de me deixar pra baixo.
Que importa se dissessem que não sobreviveria escrevendo crônicas e poemas? Importa mesmo? Antes não, bastava saber que faria bem qualquer coisa a que estivesse disposta a fazer.
Hoje porém... As opiniões me ferem, ainda que eu não as peça.
janeiro 12, 2012
Das coisas que só mãe sabe...
Crianças ficam elétricas quando chove, não sei se existe mesmo uma explicação científica ou se é apenas o fato de eles terem que ficar presos em casa, fato é que sempre ouvi minha mãe e tias dizerem "é a chuva, essas crianças estão impossíveis hoje".
Amanheceu chovendo e até meio dia eu devo ter escutado uns 50 gritos: O mãeeeeee.... Até que cansei de brincar de surdez seletiva e coloquei-os de castigo, um em cada quarto.
Acontece que o silêncio e a aceitação do castigo despertaram a minha atenção, então fui verificar.
Pasme, eles estavam brigando, trocando bilhetes por baixo da porta!
O bilhete dizia mais ou menos isso: Maria pára de me mandar bilhetinho porque você é muito chata e por sua causa eu estou de castigo, terminava assim: Um desenho pra você.
Aí ele desenhou a bandeira do palmeiras (time que ela torce) e escreveu Beijo...
Bom, pelo menos o castigo serve pra que eles desenvolvam o gosto pela escrita...
janeiro 09, 2012
Desapegue-se
Quando aprendi a não precisar, passei a ser mais feliz... Desapego! A palavra de ordem.
Sabe todas aquelas coisas que você pensa que precisa pra viver e na verdade te fazem mais mal que bem? Então...
Eu não vou mais atrás de quem não move um passo em minha direção, não quero perto de mim gente que não sabe sorrir com os olhos, quem não tem ritmo e poesia nas palavras. Olhos e sorrisos sinceros. Aliás, que vá pra longe, bem longe, toda a falsidade das palavras vãs... Pa-la-vras, livre-me delas... E quanto maior a explicação, maior a mentira.
Mas era de desapego que estávamos falando, não era? Pois é, já pequena, de família cheia de primos, pobre, irmã e neta mais velha, fui educada no sistema de trocas. Eu uso, tu usas, nós usamos... E as roupas, sapatos e brinquedos iam e vinham dos primos pra mim, de mim pros irmãos.
Uma lição: As coisas que não servem mais são passadas aos outros, mas se não prestar, meu bem... LI-XO!!! Ééé... Ops...
Duas conclusões:
Não era insubstituível como pensavas...
E mãe, não éramos pobres... Éramos SUS-TEN-TÁ-VEIS!!!
dezembro 12, 2011
Tem cheiro de chá!
Estávamos almoçando quando ela me disse:
Mãe, eu tenho mania de cheirar tudo o que vou comer.
Olhei para o pai dela e vi a mesma cara de espanto que eu devo ter feito. Pra quem não sabe eu tenho essa mania desde pequena.
Ontem pedi para que fosse até a horta pegar hortelã pra colocar no suco. Abaixadinha lá ela me chamou na janela.
Mãe qual é hortelã?
Este aí filha, pega uma folhinha... Tem um cheiro bom?
Tem cheiro de chá. Respondeu...
Engraçado. Nunca a vi tomar chá, nunca gostou, desde quando era bebê. Como ela conhece o cheiro?
Temos mais dos nossos pais do que pensamos. Influenciamos mais os nossos filhos do que gostaríamos. É fato.
dezembro 10, 2011
Lençóis no varal
Quando era criança não havia prazer maior, correr entre os lençóis pendurados no quintal, sentir o cheiro bom que o vento trazia. Adulta, lençóis ainda trazem prazer, nada melhor que roupa de cama limpinha, cheirosa, macia...
Ontem eu fugi de casa, é fui embora pra sempre, como quando eu tinha 8 anos. Sai esbravejando: E você nunca mais vai me ver! Eu dizia isso olhando no espelho... Fugi pro quintal, sentei embaixo da árvore (eu não consigo mais subir como quando tinha 8 anos) e fiquei lá, esperando alguém sentir a minha falta. Deveria ter esperado até a hora do jantar, minha mãe sempre sentia minha falta quando colocava o jantar na mesa, certamente sentiriam a minha se o jantar não fosse posto...
Fato é que fiquei lá, por cinco eternos minutos. Observando os lençóis e recordando a criança que brincava por entre eles. Eu me tornei uma adulta chata, gritando na janela pra que saíssem com as mãos sujas de perto do varal.
Adultos não têm tempo pra sentar embaixo da árvore, voltei pra casa frustrada porque ninguém sentiu a minha falta. Mais tarde preparei o jantar e recolhi os lençóis enquanto chamava pelas crianças que brincavam há horas, talvez também tenham fugido pra sempre e eu não notei.
Melhor voltarmos pra casa.
dezembro 04, 2011
Sobre o canto dos sabiás e o sorriso que ele traz...
O dia mal amanheceu e um som me despertou lembranças... Eu, que não gosto de sítio e mato, acordei sorrindo, saltei da cama e abri a janela pra poder olhar pra fora. Não vi de onde vinha, mas sem dúvidas me era um som familiar, um som com gostinho de lembrança boa. Seus olhos fechados e seu sorriso perfeito, sincero... Toda vez que eu escutar o canto de um sabiá serei eu quem irá sorrir, sabia?
"Ninguém nunca me viu tão transparente como você, ninguém nunca soube do meu medo de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser boa o suficiente"...
novembro 07, 2011
Hoje eu só quero que o dia termine (bem? Não importa)...
Tive sonhos pertubadores noite passada, obviamente não os relataria aqui... Acordei mais cansada que nunca, mais confusa que nunca, juro! fiquei alguns minutos tentando separar o que tinha sido sonho e o que realmente havia acontecido, resultado: eu não quero sair da minha cama.
Abro os olhos, percebo que não chove, fecho-os imediatamente.
Lembro-me que combinei com alguém às 10 da manhã, são 8:20, mas eu não vou levantar... Se o telefone tocar eu não atendo, se baterem à porta eu nem respiro, faço de conta que não tem ninguém em casa e depois eu penso numa desculpa.
Finalmente eu me convenço de que preciso abrir os olhos, meia hora pra ter coragem de tirar o pijama. Tirem esse espelho daqui! nossa como estou GORDA!
Já sei, vou pra internet... deve ter algo interessante lá... E tem. Uma amiga com o humor pior que o meu, interessante...
Tento de tudo, ouço musicas, leio as últimas atualizações on line, descubro que existe mais gente que odeia a segunda feira...
Eu até ri de uma demonstração pura de amor entre irmãos aqui em casa mas foi um riso momentâneo, passou...
Na internet eu vi que as pessoas contam que receberam mensagem de alguém especial, que o remédio pro mau humor é sexo, que o time não ganhou o jogo contra o pior do campeonato (o meu também perdeu ontem), que o tênnis não presta e foi trocado por um pior, que quebrou o calcanhar (nunca vi isso, juro)... Meu media player não aceita os comandos que eu dou, que ódiooo!!! Hoje é segunda feira, tem uma pilha de livros que eu preciso ler pra ontem, tem louça na pia, roupa na máquina e o meu humor vai de mal à pior...
Chego então a duas conclusões :
1ª Não basta ser segunda-feira, tem que estar de mau humor...
2ª Eu acho que tô de mau humor...
Abro os olhos, percebo que não chove, fecho-os imediatamente.
Lembro-me que combinei com alguém às 10 da manhã, são 8:20, mas eu não vou levantar... Se o telefone tocar eu não atendo, se baterem à porta eu nem respiro, faço de conta que não tem ninguém em casa e depois eu penso numa desculpa.
Finalmente eu me convenço de que preciso abrir os olhos, meia hora pra ter coragem de tirar o pijama. Tirem esse espelho daqui! nossa como estou GORDA!
Já sei, vou pra internet... deve ter algo interessante lá... E tem. Uma amiga com o humor pior que o meu, interessante...
Tento de tudo, ouço musicas, leio as últimas atualizações on line, descubro que existe mais gente que odeia a segunda feira...
Eu até ri de uma demonstração pura de amor entre irmãos aqui em casa mas foi um riso momentâneo, passou...
Na internet eu vi que as pessoas contam que receberam mensagem de alguém especial, que o remédio pro mau humor é sexo, que o time não ganhou o jogo contra o pior do campeonato (o meu também perdeu ontem), que o tênnis não presta e foi trocado por um pior, que quebrou o calcanhar (nunca vi isso, juro)... Meu media player não aceita os comandos que eu dou, que ódiooo!!! Hoje é segunda feira, tem uma pilha de livros que eu preciso ler pra ontem, tem louça na pia, roupa na máquina e o meu humor vai de mal à pior...
Chego então a duas conclusões :
1ª Não basta ser segunda-feira, tem que estar de mau humor...
2ª Eu acho que tô de mau humor...
novembro 03, 2011
Eu deixaria tudo se você ficasse ?
Tenho dias de depressão profunda, meu quarto é o meu refúgio, janelas e portas trancadas, não quero ver a luz do sol... O clima de inverno me faz não querer sair da cama, músicas me fazem companhia, quero estar só com os meus pensamentos... Mas mudaria de ideia se você pudesse estar aqui, não precisava dizer nada, bastava ficar deitado aqui ao meu lado, sorrir vez em quando das minhas caretas, da minha caretice, do meu medo de nunca mais te ter. Eu abro as portas do meu mundo se for pra você. Fica mais um pouco?
Fica pra sempre...
outubro 28, 2011
Almas, Sonhos, Vidas, Amores aprisionados...
Fernanda sonhou noite passada que conseguira romper todas as correntes que a aprisionavam, acordou ofegante, no sonho ela quebrava as correntes e corria, corria pra muito longe dali. Não olhava para trás, algumas coisas precisam simplesmente ser abandonadas, outras não são permitidas. Fernanda sonhou a vida inteira e em seus sonhos o mundo era todo azul.
Aconteceu que nesta manhã ela deu-se conta da tolice dos sonhos, deu-se conta do peso das correntes, tentou entender o motivo de não livrar-se delas, correntes, ainda que psicológicas aprisionam e estar aprisionado dói. Quis acordar.
Primeiro passo. Acordar...
Existem pessoas que passam a vida toda em total inércia, acreditando que estão acorrentados a algo ou a alguém, não estão.
Outras até livram-se das correntes, mas jamais conseguem chegar até a porta e sair. Estar preso pode ao mesmo tempo em que acorrenta trazer segurança, quando as decepções são conhecidas e limitadas o antídoto é naturalmente produzido, com o tempo já nem pesa mais.
Imaginem só, se viéssemos com um botãozinho escrito “ejetar”... Um toque e estaríamos livres, porém, algumas pessoas não sabem voar, pousar em segurança, caminhar sozinhas. Estar acorrentado para estas pessoas significa mais, significa estar seguro, limita-se a ficar em território conhecido e nunca conhecerão o jardim ao lado, pois a corrente não chega até o muro.
De que você tem medo? Você não sabe voar?
Talvez tenha medo de apaixonar-se pela liberdade e livre nunca mais querer voltar.
De que eu tenho medo? Bem, eu tenho medo de perder, nunca soube lidar com as perdas. As minhas correntes ainda que me aprisionem e pesem me fazem saber quem estará sempre ali, de certa forma acorrentadas a mim... Você está sempre ali, ao alcance dos meus olhos, atento aos meus chamados, ainda que furioso me diga às vezes que me odeia e que nunca mais voltará. Atende aos meus chamados no primeiro toque, suavemente me diz “oi” e desmancha-se se digo “senti sua falta”, não importa quanto tempo ficamos sem nos falar. E quando eu te vejo, ah... Quando eu te vejo...
Eu não posso me livrar das minhas amarras, existem ali sentimentos e pessoas que eu simplesmente não saberia como deixar sem olhar pra trás. Sinto muito. Mas eu quero afrouxar aquelas que te prendem a mim, juro eu não me afastarei, visto que minha covardia não me deixa me aproximar do muro e ver as belezas de outros jardins, eu já tentei.
Eu te solto, assim, aos poucos... Combinado? E você se vai, se quiser... Se voltar, não são as correntes que nos prendem, é o amor.
Eu me aprisiono, covardemente tenho medo do desconhecido, mas quero acorrentados a mim apenas os que estiverem ali por me amar. Afinal, não existe outro motivo, pra sentar ao meu lado e ficar, ou me amas ou és louco.
Me diz, o que te prende ?
outubro 20, 2011
O mundo é mudo!
O mundo é mudo! Não tem luz lá, você olha daí e tudo o que o mundo te diz é NADA. O mundo não diz e você precisa entender, então interpreta. Inventam uma lanterna, falha. Mas você não sabe, não quer acreditar e, a partir da luz da sua Laterninha falha, você interpreta e reproduz o que pensa ver, o que pensa ouvir.
É preciso olhar pra dentro, introspecção é mais importante que a luz. As respostas vêm de dentro, você já sabe disso.
Eu não sou assim tão transparente, às vezes eu te deixo falsas pistas. Você pensa que já aprendeu a ler as minhas entrelinhas, está enganado. Eu não sou assim tão complicada, eu também não sou tão simples, mas você ainda não aprendeu a me ler, sabe me decodificar, é verdade, mas está longe de interpretar aquilo que eu realmente tentei dizer. Polissemias... E eu sou responsável apenas pelo que disse, não pelo que você entendeu. As palavras têm sentidos diferentes pra mim e pra você.
É preciso olhar pra dentro, de mim, de você.
Você está preocupado com a lanterna que às vezes apaga, te deixando cego e o mundo meu bem, o mundo é mudo. Mas se você fechar os olhos, apagar a luz por alguns instantes você vai ouvir aquilo que não se diz, poucos escutam. É preciso concentração, é preciso olhar de dentro...
Todo conhecimento que você construiu não tem te ajudado a me entender, sabe analisar o dito, o não dito, o implícito, mas não sabe compreender a linguagem de um olhar, de um toque, de um desviar de olhar. Não os meus.
Te deixei as pistas nas entrelinhas, mas a minha lanterna também é falha e o meu mundo também é mudo, eu tenho dificuldade em analisar o não dito, e as nossas palavras têm sentidos diferentes... Meus conhecimentos acerca da linguagem ainda são rasos, mas eu interpreto olhares como ninguém. Me dê um sinal e eu te decodificarei inteiro, mas não use meias palavras comigo, eu não entendo muito de implicatura. Eu ainda estou aprendendo.
Vem e eu te ensino a me interpretar, eu apago a minha lanterna que está falhando, você deixa a sua no bolso e nós vamos ouvir o mundo, prestar bem a atenção. Então se você puder ouvir o som da minha respiração ofegante, o palpitar do meu coração, entenderá! Não o mundo, que é mudo, mas entenderá o que eu não digo, mesmo apesar de querer que você ouça, eu não digo.
Seres humanos têm necessidade de compreender o mundo, mas não sabem que é preciso estar atentos, olhos fechados, coração aberto, as respostas vêm de dentro, as respostas não estão no mundo, estão em nós.
Introspecção... Apaguem as lanternas, o mundo, meu bem, é mudo!
outubro 15, 2011
Mensagem para você...
Eu não sei quando foi que começou, quem se apaixonou primeiro, ela ou ele. Também não sei quando foi o primeiro beijo, o primeiro olhar, nem nunca vou saber... Sei que um dia ela foi surpreendida com a seguinte frase: Você não vê menina, sou eu... Eu arrisco dizer que foi ele, mas vai saber...
Só o que sei é que um dia se apaixonaram. Namoraram de perto e de longe, fizeram planos, resistiram a distância dela tentando esquecer. Se amaram nos lugares menos prováveis, correram riscos, fizeram mais planos. Tinham trilha sonora, filme tema. Ele trazia bombons, mandava mensagens na madrugada, cantarolava ao pé do ouvido. Ela encantava-se.
Sei também que um dia brigaram. Um não, muitos. E o amor que tinham era doce e se acabou. Ou, pelo menos, foi o que pensaram. Separam-se então, levando lembranças amargas. Em vão. Descobriram que o tempo faz com que a memória guarde só o que foi bom.
Ela lembrou do filme que ele sugeriu em um dos e-mails que trocaram. Ele se pegou rindo, lembrando dela assistindo o filme com tanto entusiasmo sem saber quem era ele. Ela sentiu saudades de vê-lo atravessar a rua trazendo um bombom, ou de notar ele a observando pelo espelho. Ele se flagrou, novamente, ouvindo as mesmas musicas que o faziam lembrar dela. Ela ainda ri ao lembrar dos contos inventados, dos lugares visitados nos sonhos, das fantasias que nunca realizaram.
Seres nostálgicos. Um passarinho verde me contou que eles se telefonam vez em quando e assumem a saudade. Como se fosse preciso...
Acho que ele ainda guarda aquela foto dela no fundo do armário. Ela guarda as cartas dele até hoje na gaveta da cabeceira. Um baú de lembranças, doces, felizes. Um álbum de recordações, um disco antigo que não se joga fora, ainda que não toque mais, um vídeo caseiro denunciando as memórias que eles nunca fizeram questão de esquecer.
Fica a dica do Filme - Mensagem para você.
outubro 10, 2011
Quantas dessas Marias há por aí ?
Finalmente eu compreendi o real significado daquilo que ele tantas vezes tentou me dizer, simplicidade, humildade, determinação.
O que era pra ser um passeio de trem, deixou de ser apenas o admirar de uma paisagem indescritível para ser a maior lição de vida.
É apenas mais uma das tantas Marias que existem por aí, mais uma Maria do Ceará, de sotaque carregado. Não, não é mais uma Maria.
Observei-a por cerca de meia hora, debruçadas na janela do trem, sem trocar mais de meia duzia de palavras. Maria é daquelas pessoas que tem uma janela nos olhos, ao olhar pra ela você enxerga a alma.
Observei-a conversar com algumas pessoas, fiquei admirada, falava de cervejas artesanais, cursos, viagens, tinha um tom especial quando se referia aos filhos, um orgulho... Um orgulho simples.
Maria é bilingue, uma guia bilingue... Fala inglês e está aprendendo Francês, deve ter por volta de 60 anos e é a simpatia em pessoa. Faz piada dos próprios erros e não se envergonha em dizer que erra, que não sabe tudo, que ainda está em processo de aprendizagem.
Foram 3 horas de viagem, não a vi sentar um minuto sequer. No finzinho ela me falou sobre o contraste das paisagens, passávamos por um lugar bem pobre, visivelmente pobre. O contraste com a riqueza da beleza que tinhamos visto pouco antes preocupava-a, ela me disse: "Os estrangeiros veem isso aí", referindo-se ao lixo espalhado por toda parte alí. Nesse momento a simplicidade de Maria me chamou ainda mais a atenção.
Olhando pra ela eu entendi o real significado de simplicidade, olhando pra ela eu senti um impulso de ir mais longe, tentar, recomeçar, senti vontade de aprender.
Maria é um aprendizado imenso, imerso em humildade. Ela não é mais uma das Marias que eu conheci.
Então , eu terminei o trajeto pensando em tudo aquilo que ele tinha me dito tantas vezes... E eu nunca tinha compreendido. Humildade, simplicidade, determinação, é incrível como as pessoas deixam de ser mais uma Maria no mundo e tornam-se singulares quando deixam transparecer na humildade de um sorriso a grandeza de um ser.
Maria é pessoa rara, enxerga com o coração e carrega todos os sonhos do mundo nas mãos. Quem dera todos os que passarem por aquele trem pudessem levar consigo um pouco do que Maria tem à ensinar, ainda que ela não saiba, em um vagão com mais de 40 professores, a lição mais importante era ela quem tinha a ensinar.
Comissária de Bordo, bilingue, brasileira, cearense, Maria não usava salto alto, roupa de grife, maquiagem, não tinha escova nos cabelos, perfume importado mas sem dúvida a pessoa mais linda que eu conheci. Três horas em pé, sorrindo, realizando os sonhos que lhes eram possiveis de realizar, os dela e os alheios. Maria é uma dessas pessoas que todos deveriam conhecer um dia.
Quando eu for grande quero ser Maria.
outubro 06, 2011
Sobre o tamanho do amor...
A cada dia me convenço que o amor está mesmo nos menores gestos. O escândalo do amor chama atenção alheia, mas a discrição do amor proibido faz a alma sentir baixinho.
Se não fosse amor, um minuto não valeria a pena, se não fosse amor, chegar perto não seria tão importante, um segundo pros olhos que se cruzam, que se entendem, que se amam.
Cumplices, amigos, amantes, amados. E o olhar furtivo, e um beijo inesperado, e o perfume impregnado na pele.
A espera pra que chegue logo o dia em que possam outra vez estar perto, por um minuto, sem nenhuma palavra, não há necessidade, os meus olhos entendem a linguagem dos seus e a minha pele arrepia quando me dou conta da grandeza desse amor, que não era pra ser, não pode ser, mas foi e às vezes suas atitudes me convencem que ainda é.
setembro 29, 2011
Mãe deveria ter superpoderes, o meu seria poder parar o tempo.
Definitivamente, eu não os vi crescer.
As vezes ainda lembro dos nove meses de enjoo, das câimbras noturnas e todas essas dores suportáveis que ser mãe nos traz.
Outro dia fui surpreendida com a noticia do "namoro", pra minha surpresa ele ainda me diz:
Eu já tenho NOVE anos! (jura? nove? )
Descobri que não sei nada sobre ser mãe.
Todos os dias, no mesmo horário, eu faço o prato dos dois e coloco à mesa.
Todos os dias Maria Clara se levanta e troca a colher por um garfo. Ela ainda não me disse que aprendeu a usar garfo, eu ainda acho que ela pode furar a boca, ela é desastrada feito eu.
O fato é que ela não quer me desapontar eu acho, então levanta quietinha ela mesma e faz a troca, eu finjo não perceber.
Não sei por quanto tempo poderei ignorar o fato de que eles cresceram, crescem todos os dias e eu ainda não sei como ser mãe
As vezes ainda lembro dos nove meses de enjoo, das câimbras noturnas e todas essas dores suportáveis que ser mãe nos traz.
Outro dia fui surpreendida com a noticia do "namoro", pra minha surpresa ele ainda me diz:
Eu já tenho NOVE anos! (jura? nove? )
Descobri que não sei nada sobre ser mãe.
Todos os dias, no mesmo horário, eu faço o prato dos dois e coloco à mesa.
Todos os dias Maria Clara se levanta e troca a colher por um garfo. Ela ainda não me disse que aprendeu a usar garfo, eu ainda acho que ela pode furar a boca, ela é desastrada feito eu.
O fato é que ela não quer me desapontar eu acho, então levanta quietinha ela mesma e faz a troca, eu finjo não perceber.
Não sei por quanto tempo poderei ignorar o fato de que eles cresceram, crescem todos os dias e eu ainda não sei como ser mãe
setembro 20, 2011
Amor próprio, modo de usar ?
Às minhas amigas bandidas
Não há nada mais ridículo que ficar olhando para o telefone esperando que ele toque, ficar olhando pra porta, esperando vê-lo entrar então...
Sentadas naquele bar, mudas, as três sabiam bem o que passava na cabeça uma da outra, ainda que até o momento a conversa pouco tinha fluído. Vamos combinar que ao som daquelas músicas ficava difícil não calar.
Conversávamos com o olhar, esperando que a outra desse início à conversa.
-Meu suco está demorando...
-É foram plantar as laranjas...
-Beba um Chopp com a gente!
-Não, to tomando remédio.
Vez ou outra o celular tocava, era mensagem e os olhos dela brilhavam... Eu podia sentir o cheiro do pavor dela em descobrir o que ele escrevera desta vez.
Homem é um ser estranho, depois dizem que nós quem somos complicadas, de qualquer forma estava divertido formular respostas para as mensagens idiotas que chegavam. Ele é bom também nas respostas, isso dá raiva.
Incrível como podemos antecipar os pensamentos uma da outra, talvez vocês não entendam, mas tem coisas que são desnecessárias dizer.
Sem perceber já estávamos dando conselhos, hoje era eu a "pés no chão", então sob efeito do álcool (que nunca precisa ser muito), elas divagavam sobre como é frustrante o amor próprio, que sempre que se faz o que se "deve", fica com gosto amargo na boca, como se pudesse ter sido diferente e que no fundo o que elas querem mesmo é o cara errado, a topada na porta, o partir do coração. Assim sofreriam com a certeza que tinham vivido o que desejavam.
Eu discordei completamente, disse que amor próprio nunca fez mal a ninguém, que elas deveriam aprender a usar também e que algumas cenas eram patéticas... Eu dando esse conselho era uma dessas cenas, patéticas...
Decidi então que escreveria um texto no dia seguinte, "Amor próprio, modo de usar". Descobri que eu também não sei.
A noite termina em risos, vídeos (que sumiram do meu computador por sinal), como é bom saber que vocês estão ali, sempre perto, é bom saber que não preciso confiar-lhes os meus segredos, vocês me apoiam. Como é bom dividir um edredom, uma barra de chocolate, uma garrafa de vinho barato, parte de uma vida, uma história.
Aprender juntas a amar mais, a amar direito.
Assinar:
Postagens (Atom)







