abril 13, 2011

Bandidos armados X População vulnerável.



O presidente do Senado Federal, José Sarney, informou no final da manhã do dia 12/04, durante entrevista coletiva à imprensa, que vai propor  a realização de plebiscito nacional para que a população brasileira responda: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?"
O cara está se aproveitando da fragilidade das pessoas devido ao fato ocorrido semana passada no Rio de Janeiro para induzir a população a mudar a decisão tomada no referendo realizado em 2005, no qual 64% responderam “sim” a possibilidade do comércio de armas.
Eu torno a perguntar se essa lei não estaria visando desarmar apenas as pessoas de bem. Votei contra o desarmamento em 2005, continuo sendo contra!
Aliás, acho que agora sim ele está tentando induzir a população ao erro, covardemente, em um momento em que estamos todos perplexos.
E quer saber? acho que ele deveria propor exatamente o contrário. Vamos armar toda a população até os dentes, dar-lhes cursos de defesa pessoal, ensinar-lhes a atirar sem dó nem piedade. Não é isso que os bandidos fazem ?
Sou muito mais a favor de armar os professores, os alunos, enfim, toda a população! assim ao menos estaríamos lutando de igual para igual. 
Quem vê pensa que bandido compra arma no comércio legalizado... Acho isso uma tremenda de uma perda de tempo, isso sim. 
Não ao desarmamento!
 Uma metralhadora, saber como utilizá-la e um coletes à prova de balas deveriam ser ferramentas de trabalho dos professores daqui por diante. Ao menos poderíamos tentar intimidar gente como o maldito Welligton.  

abril 07, 2011

Eu não quero mais!



Hoje quando liguei a TV pela manhã, me deparei com a noticia incessante de que um "homem", se assim poderia ser chamado, entrou na escola atirando e matou 12 crianças,  sei lá mais quantas feridas, sem contar as feridas emocionalmente, as mães desesperadas no portão da escola. Ainda meio sonolenta foram necessários alguns segundos para que eu digerisse a informação, no entanto, não precisou de muito para o café da manhã tornar-se indigesto.
Tenho dois filhos na escola, confio quando os deixo lá. 
Eu não quero mais os mandar para a escola, para longe da minha proteção, ainda que eu saiba que nem sempre ela será suficiente.
Eu não quero mais ser professora também.   

abril 06, 2011

A definição mais linda que já ouvi de saudade :
"Vontade de ver de novo, de reviver, de ter a pessoa perto só mais uma vez."
Por prof° Neil.

março 24, 2011

(...) E onde quer que eu vá.


Esta é a história da primeira e última vez que me apaixonei, pelo mais lindo, fascinante e complicado homem que habita minha alma. Eu tenho certeza que você vai me deixar amanhã, então, eu vou te dizer enquanto ainda dá tempo, se a gente estiver junto ou não, você sempre vai ser o amor da minha vida. E a única pessoa que eu sempre vou invejar, vai ser aquela que tem seu coração. Porque eu sempre acreditarei que é meu destino ser essa pessoa.



Se a gente nunca mais se ver de novo, e você estiver por aí andando e sentir uma certa presença ao seu lado, serei eu. Te amando... A onde quer que eu esteja.




TRECHO ADAPTADO DO FILME IRONIAS DO AMOR....

março 12, 2011

Sobre o tormento das cores do céu, dos olhos, da saudade.


Não há como observar o azul do céu do mês de março e não lembrar dos olhos seus. Olhos que não são azuis, mas que me trazem a mesma paz que sinto com a chegada da minha estação favorita do ano.
 Olhar para o céu me traz a sensação que que em algum lugar você também o observa e, consequentemente, se lembra dos olhos meus, não azuis também...
Em algum momento nossos olhos, um no outro, nos trouxeram a paz que precisavamos, partirmos e agora as lembranças nos trazem o tormento que não queriamos, a saudade que não suportamos. 
Mas olhar o céu mais azul das tardes de março me traz você de volta e me faz crer, mais uma vez, que em algum momento o amor que vinha dos seus olhos castanhos foi  mesmo verdadeiramente grande.
Suficientemente grande para te fazer lembrar dos meus olhos "não azuis" sem precisar do azul do céu, nem de motivo algum, lembrar só pra sentir de novo um pouco daquela paz, suficientemente grande para suportar o tormento do céu que se acinzenta quando a tristeza vem. 

"Não esqueça que eu te amo e por amor te deixo ir"...

março 07, 2011

Sobre esta época do ano (...)



Todos os anos, com a proximidade dos dias mais frios, eu pego um dia para organizar o guarda roupas, (sim você leu direito, eu só faço isso duas vezes ao ano, inverno e verão!).   E nem é assim algo que se possa chamar de organização, mas no corre corre diário eu preciso de agilidade, então, roupas meia estação à direita, de verão à esquerda e... Ah vamos combinar que esse lance de ser organizada é um saco!  E se as roupas não desmoronam sobre mim ao abrir as portas, vejam que avanço! Separa-las por cores está mesmo fora de cogitação.
Enfim, encontrei algumas peças que estava procurando há meses... E outras que eu não queria ter encontrado,como aquele casaco preto, lembro-me bem da última vez que o usei e guardei-o lá, na esperança que o perfume não se desprendesse dele. 
Constatei ao cheira-lo que o tempo realmente apaga as marcas e os cheiros muito depressa. E que algumas vezes é preciso fazer um esforço enorme para recordar dos detalhes de algum dia bom, outras vezes, um simples casaco preto trás à tona tantas lembranças. 
Pensei em coloca-lo na sacola de doações, certamente faria alguém feliz e aquecido, mas minha situação financeira não me permite o capricho de me desfazer de algo simplesmente porque me traz más lembranças.
Dobrei-o delicadamente, como quem acaricia alguém que não vê há muito tempo, e depois de me certificar que de fato o único cheiro nele era o de roupa guardada, coloquei-o ali, nem à direita, nem à esquerda... Algumas coisas merecem um lugar especial.
E também, em pouquíssimos dias eu não saberia mais onde ele está mesmo! Sabe como é... organização não é o meu forte! 

março 03, 2011

Fragmentos de um amor.

E então os corredores  tornaram-se tão vazios, não tinha mais aqueles batimentos acelerados à espera de te ver passar, todos os espaços foram ocupados por outras pessoas.
 Exceto um.



fevereiro 28, 2011

FELIZ, ser ou sentir-se(R)?


Fraquejou por inúmeras vezes. Voltou atrás, quebrou promessas feitas a si mesma, perdeu o orgulho e o controle.
Um dia acordou gostando de si mesma. Teve coragem então para sair da prisão psicológica a qual ela mesma havia se trancado.
Agora sentia-se forte, mas o silêncio sempre fora sua maior fraqueza.
Outrora quebraria-o com uma sequência conhecida de oito dígitos, porém, naquele dia o silêncio fora quebrado por um riso.
Um riso que ironizava a fragilidade de antes, ruidos de um riso de quem sabe o que quer, um riso livre, de felicidade. 

fevereiro 22, 2011

Amor de carnaval...

(...)Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes
.

 Infinito enquanto dure...
.
Essa “eternidade” do amor pode durar uma vida toda, ou não mais do que algumas meras horas de encantamento e de prazer, quem sabe um mês ou dois, um ano ou dez... O que conta não é a duração, mas a intensidade do sentimento, já dizia o poeta. É a sua autenticidade. São as marcas deixadas, que nos acompanham enquanto vivermos.

E foi num carnaval qualquer... 
Há onze carnavais...


E depois desse nenhum outro fora igual.

Devagar e de mãos dadas,
Caminharemos pela vida, 
percorrendo a mesma estrada.



E não que algo tenha sido fácil, mas saber que você está ali... Ah... a segurança de saber que você está ali... E saber que com você vale a pena, que por você vale a pena!

   


E quem disse que amor de carnaval não dura ? 
E quem disse que amar é fácil ? E que conviver é fácil ? 
E quem se importa com o que dizem ? 

Não sabemos conviver bem nem com os nossos próprios defeitos, apontamos com louvor os alheios. E amar, meu bem, é bem mais que duas escovas de dentes juntas no armário do banheiro, amar é o acordar e o adormecer ao lado de alguém que não é uma extensão de você, que não é você, que por mais que tenham afinidades, não pensa exatamente como você. E aqui vale a pena dizer, que amar é ceder! E quem no mundo cederia por mim mais que você ?

É que com você vale a pena! 

É que você acredita nos meus sonhos, viaja nos meus planos mais insanos e me coloca outra vez em órbita, quando fascinada, vou ao mundo da lua.
É que você segura minha mão pra dormir, você coloca a mão na minha perna enquanto dirige, você canta mal pra caramba! já te falei isso tantas outras vezes! É péssimo com as palavras e bom demais com números.
Dois opostos que se completam... Seus pés no chão e minha cabeça nas nuvens.
É que você há 11 anos me chama de gatinha sempre quando me atende ao telefone(espero que não seja por ter esquecido meu nome).

 E diz que me ama todos os dias antes de sair pra trabalhar.

É porque você é o amor da minha vida! é porque não poderia ser mais ninguém, é porque eu descobri que você me completa, que você me satisfaz. Que seu amor me basta. É porque sua mão segurando a minha me acalma e a sua tranquilidade traz paz à minha euforia.

(...)" Olha, eu sei que o barco tá furado e sei que você também sabe, mas queria te dizer pra não parar de remar, porque te ver remando me dá vontade de não querer parar também.Tá me entendendo? Eu sei que sim. Eu entro nesse barco, é só me pedir. Nem precisa de jeito certo, só dizer e eu vou"(...)
C.F.A

É que  , apesar dos meus medos, você é o meu porto seguro.
É que eu te amo! 

(...)Mas você tem que me prometer que vai remar junto comigo. Mesmo se esse barco estiver furado eu vou, basta me pedir. Mas a gente tem que afundar junto e descobrir que é possível nadar junto. Eu te ensino a nadar, juro! Mas você tem que me prometer que vai tentar, que vai se esforçar, que vai remar enquanto for preciso, enquanto tiver forças! Você tem que me prometer que essa viagem não vai ser a toa, que vale a pena(...)



Que por você vale a pena. Que por nós vale a pena.
Remar.

Re-amar.

Amar.
(C.F.A)


 Me pega e leva

Porque eu te amo
Andei fugindo mas estou aqui
Derretido, sentimental
Porque deixar de amar não é normal
Não se desama dando um mero tchau


Seja como for
Mas seja sempre o meu amor perpétuo
Onde estiver esteja
Onde está
Meu peito aberto
(Peito aberto- Kid Abelha)

fevereiro 18, 2011

Ao som de  Maria Bethânia


Com o olhar perdido no vazio de uma noite qualquer... Dei a desculpa de observar o céu e as estrelas,  na verdade eu apenas queria um instante para poder pensar em você...
É tão estranho como os dias tem passado depressa, é tão estranho como eu tenho me dado conta do quanto eu tenho te esquecido. Não queria que fosse assim, eu não queria ... 
Imersa em recordações, por um instante eu me permiti sentir saudade de você. Vinha controlando tanto os sentimentos. Tão fria, tão distante...
Hoje queria ouvir sua voz trêmula, rouca, cantando uma canção qualquer... 
Love of my life, you've hurt me

You've broken my heart, now you leave me.

Love of my life can't you see...

pra embalar a noite linda, de céu estrelado... pra embalar minha saudade. 

Pra não permitir que o tempo apague o seu riso da minha memória, pra não deixar os dias passarem e  com eles o que restou, lembranças, nada mais...

 Eu sei que vou chorar a tua falta toda vez que eu respirar.

fevereiro 09, 2011

Sobre as angústias da alma(...)



Uma noite vazia como nenhuma outra, às vezes esse vazio toma conta, mas não me lembro de te-lo sentido tão presente nos últimos dois meses. Fim de férias, vésperas de mais um aniversário, sempre fico depressiva às vésperas de completar mais um ano. Quase 30... Tenho pensado muito nisso nesses últimos dias. Certamente não é esse o motivo da angústia, apesar de eu querer que fosse.
O que eu chamo de bloqueio criativo (e claro, não é uma expressão criada por mim), nada mais é do que um não querer escrever sobre as mesmas coisas, repetir as mesmas palavras e frases, deixar implícita a insegurança que habita em mim. E assim uso palavras alheias para dizer o já dito tantas vezes.
Através do vidro embaçado da minha janela vejo a solidão da rua, chove, é madrugada de uma terça-feira.  A sensação que tenho é que não importa quantos invernos eu atravesse, não importa quantos e-mails eu deixe de escrever, nem mesmo quantas vezes eu mude o numero do telefone, suma do mapa, evite confrontos, mude a meu play list para rock and roll... Parece-me tudo em vão, todo e qualquer esforço para tirar da cabeça o que está impregnado na alma.
Juro, tenho tentando trabalhar, tenho ocupado o tempo com planos, eu tenho até sonhado ultimamente, coisa que há algum tempo evitava fazer. Sabe como sou, não gosto de destruir meus castelos, apesar de ter uma facilidade imensa em criá-los, mas tenho sentido o vazio das tardes do mês de agosto. Já te falei que não gosto do mês de agosto? Chove demais, venta demais, não é inverno nem verão e inicio de primavera é tão melancólico, até gosto das flores, mas confesso que esperar por elas é angustiante.
Sabe quando você fica muitos anos sem falar com alguém muito especial? E as vezes por mais especial que a pessoa seja, os dias passam e você não encontra tempo para uma ligação de 10 minutos? Aí quando você cria coragem e liga parece que os assuntos já não são mais importantes, os planos não são mais comuns, os amigos, as novidades, não são mais interessantes para ambos e o telefonema que durava horas não passa muito de um: oi quanto tempo... como vai?, até logo.
Sinto-me assim, escrevendo para alguém que não tem mais nada em comum comigo, partilhamos de algumas boas lembranças, o que não garante que sejam as mesmas. E só.
Mas quando chove eu ainda vejo o seu rosto, entre os pingos e o céu nublado. É triste eu sei, mas as melhores lembranças que tenho são de dias assim com céu carregado, com chuva fina.
Desfiz-me das lembranças todas, apaguei as musicas, as cartas, os vínculos... Acabei com quase tudo de material que havia, exceto aquela foto sua. Um sorriso que eu só vi naquele agosto, um brilho nos olhos de quem tem esperança de dias melhores ...
“E o que vai ficar na fotografia, são os laços invisíveis que havia”... (Leoni)
Desculpe a pretensão mas a sensação que tenho é que o melhor de você apenas eu vi, como aquele sorriso, naquela fotografia.
Espero que o sol apareça amanhã e que não toque aquela musica no rádio, assim não tenho desculpas para lembrar do teu riso.
E a minha alma chorará baixinho, inconformada com a tua ausência...


Nunca vou te  esquecer
Para sempre e todo o sempre
Eu sempre vou amar você.

janeiro 31, 2011

Separação.

Para  Thais.


Sentados a mesa durante o jantar Fernanda quebrou aquele silêncio desconcertante e foi logo dizendo:
- Não está dando certo! você nunca está aqui, vive viajando, pensei que pudesse lidar com essa situação, mas não posso!
Com o passar dos anos eles foram se tornando estranhos sob o mesmo teto, é verdade... Pensou Jhonas, que ainda tentou argumentar.
- Mas eu...
Em vão! Fer passara os últimos 30 dias (tempo que durou a ultima viagem dele) ensaiando o que diria. Estava decidida.
Colocou as coisas dele uma a uma dentro da enorme mala, Jhonas permaneceu sentado na poltrona da sala, fumando um cigarro atrás do outro. Sabia o quanto a fumaça a irritava, mas agora também, pouco importava agradá-la 
- Ah! todos esses anos e depois ir embora num sábado qualquer às duas da madrugada... Quando foi que o amor acabou e deu espaço à rotina ?
Pensava entre um cigarro e um copo de uísque e nem sabia se concordava mesmo com isso.
A garrafa de uísque estava no fim...
- Fer...
- Oi .
- Posso levar essa foto ?
- Qual ?
- Essa sobre a mesa, foi na nossa festa de casamento.
- É, eu sei, pode! leva a foto, deixa o porta retratos, ganhei de presente.
- É, eu sei. Comprei-o na nossa viagem de lua de mel.
  E o silencio continuou tomando conta dos dois... Tinham muito a dizer mas optaram por calar e não dar margem a possíveis palavras erradas.
- O que aconteceu ?
- Com o que ?
- Com a Fer e o Jhonas dessa foto ? 
perguntou ele sem saber mesmo onde estavam os dois de 8 anos atrás.
- Foram por caminhos diferentes.
Respondeu suspirando.
-Que pena...
E o silencio volta a reinar por longos minutos.
- Fer...
- Ham.
- Os cigarros acabaram, o uísque também.
- Hum hum...
- Bom, ninguém mais vai te incomodar com a fumaça.
-Espero que não.
(De fato ela odiava o senso de humor dele)
Sem dar espaço pro silencio ele decide tentar conversar.
- Fer...
- Oi...
- Deixa eu tentar outra vez?
- A mala está pronta. Chamei um táxi pra você, já chegou.
Despediram-se, um tanto embaraçados... Sem acreditar que era realmente um até nunca mais.
Como pode alguém sair da vida do outro levando apenas uma mala? Roupas, planos e sonhos embolados...
Ia pegando as chaves mas ela o lembrou de que não precisaria mais delas.
Saiu...
Fernanda ficou imóvel na sala, não chorou.
Olhou ao redor e sentiu o mesmo vazio dos últimos meses.
- Ele já não estava mais aqui mesmo. 
Pensou.
O táxi parado no portão... 
-Pra onde senhor ? 
Perguntou o motorista já prevendo a resposta ou a falta dela.
- Espere... 
Como se ela pudesse se arrepender e voltar atrás. O que não aconteceu.
- Vamos...
Ligou então o motor.
- Jhonas ! espere.
O rosto dele ilumino-se e o coração encheu-se de esperança.
- Oi...
Falou já descendo do carro.
- A foto! você esqueceu de pegar.
- Ah é mesmo, que cabeça a minha.
Pelo retrovisor o motorista a viu parada no meio da rua até que dobrou a esquina, Jhonas com os olhos fixos na fotografia não viu.
- Senhor... pra onde vamos ?
Diante o silencio ficou dando voltas na cidade vazia. Estava acostumado com separações...
E era justamente o que Jhonas estava pensando. 

Você diz que tudo terminou
Você não quer mais o meu querer
Estamos medindo forças desiguais
Qualquer um pode ver
Que só terminou pra você

São só palavras teço, ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato
A peça que interpreto,um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos
E você diz que tudo terminou
Mas qualquer um pode ver
Só terminou pra você
Só terminou pra você
.
(Os Barcos - Legião Urbana)












janeiro 21, 2011

Suicídio...



Do alto da roda gigante sentia o mundo aos seus pés. Escrevera duas cartas uma  a familia e uma aos amigos explicando o porque de não querer mais viver.
- É inútil tentar esquecer, é impossível viver em paz sem ele, por isso eu não quero mais viver... Dizia.
O papel amassado e a tinta borrada da caneta azul  deixava a nítida sensação de que ela não estava certa da decisão tomada. 
Ainda assim colocou as cartas no correio, para que não fossem descobertas antes do tempo desejado, endereçadas uma à sua mãe e outra à melhor amiga, certificou-se de não ter errado o endereço, reviveu em sua mente alguns bons momentos e caminhou rumo ao parque de diversão.
Quem iria imaginar um suicídio ali ? A velariam pensando ter sido um acidente, provavelmente pensariam em processar a direção do parque, receberiam a carta dias mais tarde e não sentiriam raiva dela por ter acabado com sua própria vida pois estariam ainda anestesiados pela dor. Com o tempo eles me esquecerão. Pensou.
Estava  com o seu vestido amarelo de flores grandes, ele adorava quando ela usava e essa era mesmo uma ocasião especial.
Comprou o ingresso, o moço da cabine ainda a alertou da promoção:
- Se a senhorita levar 4 saem por R$ 10,00.
- Não precisarei mais deles depois que subir naquela roda gigante, sussurrou. Um por favor!
Caminhou até a fila, esperou os 15 minutos mais longos de toda a sua vida, mas estava decidida, a única coisa que a faria desistir seria ouvir a voz do seu amado pedindo pra lhe acompanhar no passeio, o que ela sabia que não aconteceria, ele já a havia esquecido.
Chegou a hora, subiu no brinquedo, sentou-se sozinha e colocou a bolsa no lugar ao lado para que ninguém pedisse pra sentar com ela, provavelmente desistiria se tivesse alguém ali pra contar que ela havia pulado.
Lá em cima sentia náuseas, nunca gostara mesmo de altura, precisava saltar depressa.
O destino estava a seu favor, a roda gigante fez a costumeira parada justo quando a cabine dela estava no ponto mais alto.
Soltou a trava de segurança, gritou o nome dele pela última vez e um eu te amo que ecoou no horizonte, por um instante o mundo parou a observa-la. Pulou.
Sentia o vento bater no rosto e lhe deu de repente uma sensação de estar viva. Seu corpo flutuava no ar, as pessoas olhavam desesperadas a sua queda. Arrependeu-se.
Tentou parar a queda, tentou voar, pensou em uma maneira de aterrissar. Em vão, tarde demais.
A queda tornou-se lenta, dolorosa, assustadora... flutuava, flutuava... rodopiava no ar e não atingia o chão nunca. Não imaginava estar tão alto quando saltou.
Sentiu o desespero de um suicida ao colocar a corda no pescoço, chutar o banco e se arrepender. Restava esperar pela morte, ou na melhor das hipóteses que Deus a ouvisse e não a deixasse morrer, suplicou, já que cair agora era inevitável.
Gritou, chorou, pediu por socorro, desesperou-se.
Acordou.
Tocou seu rosto pra ter certeza que estava viva.
Não vale a pena morrer de amor!!!

   
   



janeiro 20, 2011

Meus Fantasmas...



E eu que tenho tanto medo de ser hipócrita... Estou com medo dos meus sentimentos, mistos, confusos...
Não gosto de sentir piedade, gosto quando consigo me comover com a dor alheia, sentir em mim parte da dor deles, sem aquela falsa piedade, entende ? 
Mas esse alivio me assusta, muito mais que a tristeza me comove!
As vezes tenho medo de mim.
Impossível esconder-se de si mesmo!

janeiro 19, 2011

Ainda na fase dos porquês... (muito bem elaborados por sinal)



- Mamãe, por que lá em casa não se assiste big brother ?
- Porque big brother é programa de gente que não tem o que fazer, que fica cuidando da vida alheia, programinha sem escrúpulos viu! 
- O que é "escúpulos" ?
- (risos) é ... ah é que só mostra o que tem de pior filha, entende ? programa de gente sem cérebro, gente boba...
- ham... (alguns segundos)
Mamãe, por que tem tanta gente que assiste então ? quase todo mundo assiste mamãe, tem até um jogo, olha ali o Alan tá jogando...
- Porque tem mesmo muita gente boba  nesse mundo filha!
- Ah! e a gente é inteligente né... 
- É nós somos! 

É incrível como ela ainda me surpreende! 

janeiro 17, 2011

E a vida vem em ondas (...) Como o mar.



As pegadas na areia iam aos poucos sendo apagadas pelas ondas que se quebravam na praia, até quando as minhas marcas permanecerão em seu coração ? Caminhando sozinha à beira mar,  pensava... Até quando o meu cheiro permanecerá em sua memória até que seja substituído por outros cheiros?
Já não havia quase ninguém na praia, era quase noite e o som do mar era tudo o que se podia ouvir. A solidão do momento me fez lembrar do ruído do seu riso, até quando ele ecoará em minha memória até que venham outros sons ? Até quando minha imagem virá a tua mente quando você por ventura fechar os olhos e pensar em mim? quanto tempo resistirá o teu perfume no meu casaco? E o meu gosto na tua boca? quanto tempo será capaz de resistir? até que você prove outros gostos ? até que você decida esquecer ?? Quanto tempo dura um amor eterno ? 
Felizes os que deixam pegadas na areia, pensava... Vê só como elas vem e levam tudo sem deixar nem vestígios?? Será que alguém ainda se lembra das pegadas deixadas ali depois de engolidas pela água salgada do mar ? Será que o mar consegue mesmo apagar todas as marcas? ou elas ficam ali, disfarçadas, ocultas, camufladas nos olhos, no sorriso, nos cheiros e gostos?
Por quanto tempo tua imagem permanecerá na minha lembrança? Será o tempo como uma onda do mar ??? 
E será  uma onda  capaz de reconhecer uma pegada que apagou ? E você reconhecerá o meu sorriso depois de apagado da sua memória ? E da minha voz? se lembraria ? reconheceria a minha voz se eu te ligasse e dissesse oi? por quanto tempo ?
As pessoas que passam por nossas areias não podem sequer perceber as marcas apagadas... pelas ondas, pelo tempo, pela memória... 
E pra onde vão os risos, os beijos, os cheiros, os gostos? onde ficam as lembranças, os sons, as memórias ? pra onde as ondas levam as marcas dos pés que lá estiveram? pra onde o tempo e a distancia levam as marcas da gente? 
Por quanto tempo ? Até quando???

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará
A vida vem em ondas
Como um mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente
Viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo
No mundo
Não adianta fugir
Nem mentir
Pra si mesmo agora
Há tanta vida lá fora
Aqui dentro sempre
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar.
(Lulu Santos,  Como uma onda)








janeiro 11, 2011

Descrição...

Ela nunca fora como as outras meninas da idade dela... Nunca quis ser bailarina, dançarina, atriz de novela, modelo de passarela, essas coisas todas que as meninas sonham! Também nunca se apaixonou perdidamente na pré-escola, nunca teve namoradinho de recreio e jamais sonhou se casar de branco, véu e grinalda.
Lembro-me de que aos 5 anos queria ser dentista, depois jornalista e só.
Nunca teve grandes sonhos e expectativas na vida, sempre teve a cabeça nas nuvens e os pés no chão (se é possível).  
Não acreditava em papai Noel, Coelhinho da páscoa, fadas e duendes, mas colocava o pé de meia na janela na noite de natal, afinal, ela acreditava em pessoas de bom coração.
Tirando isso, foi uma criança normal, brincou de pic esconde, tomou banho de chuva, comeu fruta no pé,   e cresceu... Aparentemente como todas as outras.
Mas no fundo sempre quis ser diferente... E foi. 
O que teve de mais próximo do sonho de ser jornalista/escritora foi um blog, onde vez em quando escreve besteiras a esmo, ainda assim sente-se realizada, sabe que alguns sonhos acabam ficando  mesmo apenas nos desejos de menina e deixam de ser sonhos pela impossibilidade, foi assim com as coisas que desejou fazer, foi assim com o que desejou ser e sendo assim acabou se tornando a pessoa que no fundo sempre quis ser, que aceita as coisas que já são impostas, que tenta mudar as que pode, que é feliz com o muito que tem, pois sabe que no final é o que vale mesmo a pena, que luta por seus ideais, que desiste quando vê que aquilo não é pra ser. 
A menina dentro dela que ainda não cresceu,  acredita em pessoas de bom coração. A mulher que se tornou luta todos os dias para ser uma delas.

dezembro 23, 2010

A saudade que não tem cura...

Hoje eu acordei com uma saudade sem tamanho de você, me lembrei do teu jeito, do teu riso e do teu carinho, eu me lembro que você tirava meus cabelos de trás da orelha e brigava comigo porque eu iria ficar orelhuda.
Eu adorava dormir com você, você me dava chá e uma camisola amarela com um urso estampado, eu a tinha até poucos anos, deitávamos na sua cama e assistíamos o programa da Hebe, você adorava!!! 
Eu ainda posso lembrar do cheiro da tua casa, das tuas roupas, lembro que muitas  delas tinham manchas de tinta de cabelo.
Este ano estive na tua casa, ela está mudada... Não tem mais o mesmo cheiro, mudaram os móveis, as cortinas e a cor das paredes, dormi no quarto que era seu, não tem mais a tua cama e a tua tv, não tem mais você, ele me parecia bem maior antes mas estava muito vazio agora...
Aliás, a cada toda parecia muito maior antes, a janela para a rua onde olhávamos os carros passando, a escada, o quintal... Não subi ao sótão, é como se eu ouvisse você dizendo que eu iria cair e me machucar,   Lembra o dia que a vovó caiu de lá ? 
Das lembranças todas eu me lembro bem que você vivia procurando uma forma de encontrar Deus, espero que tenha encontrado...
Tia, meu coração nunca aceitou que você tenha partido, não sei se porque nunca te disse adeus, não sei se porque o amor que eu sinto por você necessita da ilusão de que você está aqui ainda, sei que todas as vezes que penso em ir a Curitiba por um momento meu cérebro me engana e parece que eu vou te encontrar lá.
Sinto muito não ter estado ao seu lado por mais tempo, sinto muito não ter segurado as tuas mãos nas horas difíceis que passou no hospital, sinto muito não ter lhe dito mais vezes que eu amo você. 
Mas se Deus existe mesmo com certeza é com ele que você está, necessito acreditar que um dia vamos nos encontrar mais uma vez, necessito acreditar que você pode me ouvir e que sabe da saudade que mora em meu coração.
Saudades eternas... Te amo    



É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais.
(Legião Urbana)